Freddie Mercury, Robert Plant, Eddie Vedder, Renato Russo, André Matos. Uma pequena lista, mas de importantes nomes. Em comum, eles têm o fato de serem grandes vozes do rock, um gênero musical que requer grande habilidade vocal. No mês em que se comemora o dia do rock, nossa reportagem bateu um papo com Orlando Pacheco, cantor e professor de canto. Ele fala sobre como esse estilo musical exige disciplina e técnica. Confira. 
Mania de Saúde – Como começou a sua relação com música? O rock sempre esteve presente?
Orlando Pacheco
– Eu comecei a estudar música aos doze anos. Alguns colegas da escola já tocavam e faziam aula. Éramos católicos, então surgiu a ideia de formar um conjunto para tocar músicas religiosas. Como eu seria vocalista, fui estudar também. Naquela época, eu não tinha a noção de que existia aula de canto. Por isso, achei que deveria escolher algum instrumento e optei pelo teclado. Era uma aula particular, onde o professor tinha um piano e perguntou se poderíamos fazer a aula nele. Eu me apaixonei e continuei estudando no piano. As aulas de canto só vieram aos quinze, quando entrei para o coral da escola, descobri a técnica vocal, e aprendi que poderia estudá-la especificamente. Neste mesmo período, conheci as bandas de rock e me encantei. A partir disso, procurei um professor de canto e nunca mais parei.
Mania de Saúde – Como foi para você inciar os estudos nessa área?
Orlando Pacheco –
Foi extremamente decisivo, ao ponto de mudar minha perspectiva de vida. Aos dezesseis eu já sabia que era isso o que eu queria fazer profissionalmente. Já estudava piano e canto, e entrei para os cursos de teoria, percepção e regência. Minha mãe é professora, portanto sempre acreditei na importância da educação. Fui criado para dar valor aos estudos e investir sempre na minha aprendizagem. Outra influência foi o André Matos, grande expoente do cenário musical brasileiro, de sucesso internacional, cujo falecimento recente me abalou muito. Ele era formado em música, então resolvi seguir seus passos e fiz a minha graduação em música também.
Mania de Saúde – A sua voz é seu instrumento de trabalho e o rock exige muita técnica para usá-la de maneira correta. Como você cuida da voz?
Orlando Pacheco –
A maioria dos subgêneros do rock são o que a gente pode chamar de canto de alta demanda. O estilo que eu costumo cantar exige muito de mim, do meu corpo, do meu órgão vocal. Eu tomo uma série de cuidados, a começar pela alimentação e pelo sono. Procuro sempre comer de forma balanceada, em pequenas quantidades, e nunca me deito logo após me alimentar, para evitar o refluxo. Ser cantor profissional envolve toda uma preocupação com o corpo, que é o nosso grande instrumento; mais ainda com a região do trato vocal. Por isso, busco sempre fazer exercícios físicos regulares, não tomo gelado quando estou usando a voz, aqueço e desaqueço antes e depois das apresentações. O mais importante é ter consciência do uso vocal, principalmente no rock, onde temos, além da técnica básica, o uso de efeitos como os drives. É preciso haver uma rotina diária de prática de exercícios respiratórios, por exemplo. A prática vocal regular também é necessária para manter a voz em dia. Canto é um exercício físico! É como fazer musculação, temos que praticar regularmente para atingirmos o nível que almejamos.
Mania de Saúde – Todo mundo pode cantar?
Orlando Pacheco
– Sim, pode. Mesmo aqueles que têm dificuldade rítmica e de afinação. Existe todo um trabalho de percepção que pode ser feito para que vençamos esses obstáculos e consigamos usar a voz de forma satisfatória. Minha única ressalva é quando o aluno chega apresentando alguma aparente disfunção na voz. Eu indico a procura dos profissionais adequados para esse tipo de tratamento, que são o fonoaudiólogo e o otorrinolaringologista. Eles vão diagnosticar, tratar e dizer quando ele poderá retornar às aulas. No entanto, caso a voz esteja saudável, qualquer um pode cantar. 
Mania de Saúde – Fale um pouco sobre seus próximos projetos, ou no que você está trabalhando atualmente. 
Orlando Pacheco
– Estou gravando meu primeiro álbum. É uma grande realização, pessoal e profissional, pela qual aguardei até me sentir inteiramente pronto. Acredito que lançarei ainda este ano, ou no início do próximo. Este álbum será composto somente por músicas de minha autoria, então minhas expectativas são as melhores possíveis. As gravações são em São Paulo, por isso reduzi meus horários para dar aulas de canto, mas continuo, pois não consigo parar. Eu aprendo muito ao ensinar. É uma grande troca e imensamente gratificante.

Texto produzido em 19/06/2019