A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no início deste ano, dados sobre a incidência de transtorno de ansiedade e de depressão na população mundial. O Brasil ficou em destaque quando comparado com outros países das Américas, figurando em primeiro lugar no transtorno de ansiedade e em segundo na incidência de depressão. As pesquisas revelaram que 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e que a depressão afeta 5,8% da população nacional.
O Mania de Saúde foi ouvir o médico psiquiatra Cláudio Teixeira sobre esses “males silenciosos” que afligem milhões de brasileiros e ainda são envoltos em preconceitos e falta de informações. Ainda de acordo com a OMS, no Brasil, em 2015, eram 11,5 milhões com depressão e 18,6 milhões com transtorno de ansiedade. 
“Infelizmente, a saúde mental do ser humano é negligenciada no Brasil. Nos preocupamos em ter um corpo atlético e em seguir uma dieta, mas esquecemos de cuidar da mente. Junto a isto temos muitos outros fatores que contribuem para o aumento do índice de ansiedade e de depressão”, disse.
A ansiedade é um sinal de alerta diante do perigo, porém, quando crônica, torna-se preocupante. O brasileiro desenvolveu um estado de alerta porque vive constantemente com medo, seja da violência, do desemprego, das incertezas do amanhã. Já a depressão é caracterizada pelas flutuações de humor e das respostas emocionais aos desafios da vida cotidiana, podendo levar a um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no ambiente familiar.
“A ansiedade e a depressão são duas doenças crônicas que estão crescendo no Brasil, conforme os dados da OMS, e que tem gerado grande preocupação. Ainda há muita resistência em falar do problema. Normalmente, quem sofre de ansiedade e, principalmente, de depressão, não admite a doença e muito menos aceita ajuda. Por isso o papel da família e dos amigos é fundamental para ajudar a quem sofre destes males a buscar o tratamento adequado com profissionais da área”, afirma Teixeira, revelando outro dado preocupante. “A depressão será a maior causa de incapacidade de forma geral no mundo até 2020 e há mais de 10 anos já é a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil. Precisamos olhar para isto e ver o quão importante é pensar em medidas preventivas o quanto antes”.

 

Automedicação não é o caminho

Não é novidade que o brasileiro tem o hábito de se automedicar. Quando se trata de processos psíquicos, a automedicação pode ser ainda maior, salvo quando a gravidade exige consulta mais especializada, contenção química ou quando os mecanismos de controle pelo tipo de medicação impedem o aceso direto ao remédio.
Quando se tem, por exemplo, insônia, dor de cabeça, tristeza, ansiedade, resfriado, crise de pânico ou uma depressão, geralmente a automedicação é o caminho escolhido por muitos. Entretanto, quando se trata de depressão a questão é mais séria. Não só o diagnóstico, muitas vezes, é equivocado, como a medicação não tem o efeito esperado. Automedicar-se pode ser duplamente prejudicial no caso da depressão, pois não contribui para o entendimento das causas nem do propósito da doença e muito menos para o tratamento eficiente. 
“A automedicação não é o caminho para nenhuma doença. É preciso o acompanhamento médico. Tanto nos casos de ansiedade como nos casos de depressão é preciso atenção com os efeitos colaterais justamente por causa do desequilíbrio emocional. A dosagem nunca é igual de um paciente para outro, por exemplo. Então nem sempre o que ajudou alguém vai servir para outro. O medicamento é parte importante do tratamento, mas é necessário responsabilidade”, finaliza Dr. Cláudio Teixeira.

Texto produzido em: 19/06/2017