Estamos vivendo em um mundo cada vez mais ruidoso. Uma simples ida ao centro de qualquer cidade comprova este fato. Carros, caminhões, motos, obras, vendedores ambulantes e caixas de som em frente ao comércio fazem parte do cotidiano de inúmeras pessoas. E, como se não bastasse tudo isso, os jovens ouvem música nas alturas com os fones de ouvido. Todos esses fatores colaboram para que os problemas de audição ocorram cada vez mais cedo. 
Nossa reportagem foi até à Sonoris e conversou com a fonoaudióloga Dra. Eliana Mancini, que afirma que os jovens precisam tomar mais cuidado com a saúde auditiva. “Recentemente, tive uma surpresa ao ver uma propaganda de fones de ouvido para crianças a partir dos dois anos de idade, coloridos, com apelos de personagens infantis. Isso é preocupante, porque serão crianças que terão problemas auditivos mais precocemente. Antigamente, uma pessoa começava a apresentar problemas auditivos a partir dos 70 anos, o que a gente chama de presbiacusia, que é próprio do envelhecimento. Só que isso tem acontecido cada vez mais cedo. Atualmente, quando se está ao lado de alguém ouvindo músicas no fone de ouvido, é possível escutar também, devido ao volume altíssimo. Não é só o uso contínuo de som que prejudica a audição, mas principalmente o volume. Outra coisa que me preocupa são os colaboradores das empresas que têm o protetor auditivo, mas não o utilizam. A gente que trabalha com isso se atenta mais, e eu percebo que nas construções, por exemplo, os protetores estão sempre pendurados. Esse protetor que eles usam, não é o mais indicado, embora seja liberado pelo órgão regulador e ajude a proteger, mas o ideal seria um feito sob medida para aquela pessoa, que viria até o centro auditivo e faria a moldagem para que seja feito especificamente para ela. Claro que o custo é mais elevado, mas para profissionais que trabalham constantemente com isso, como engenheiros ou músicos, é um investimento em saúde. Assim como pessoas que têm perfuração de tímpano, alergia ao cloro de piscina ou água do mar, nós temos protetores de silicone, completamente antialérgicos e também feitos sob medida”. 
Ainda sobre os jovens, Dra. Eliana acredita que, em um futuro bem próximo, as pessoas comecem a ter problemas auditivos por volta dos 40 anos de idade. “Eu trato muitos jovens atualmente que já fazem uso do aparelho, mas a maioria ainda são pessoas que têm hereditariedade ou que foram submetidas a algum trauma, como acidente. E os aparelhos auditivos atualmente são muito pequenos e discretos, e com o tempo, ficarão cada vez mais populares. E eles estão com a tecnologia cada vez mais avançada, o jovem gosta disso. Os próximos aparelhos que vamos receber, já vêm com conectividade com qualquer celular. Isso antes era uma prerrogativa para aumentar o custo do aparelho, mas agora todos os aparelhos da Phonak já virão com essa conectividade. O telefone pode estar a 3 metros de distância que você poderá utilizá-lo sem encostar no aparelho”. 
A fonoaudióloga termina dizendo quais são os primeiros sinais de que há algo de errado com a audição. “No início, é difícil a própria pessoa perceber, mas quem está em volta vai notar que se fala algo e a pessoa não responde, aí você torna a perguntar e nada. Quando finalmente você toca na pessoa, ela responde àquilo que você pergunta. Normalmente quem percebe primeiro são os familiares. É preciso identificar o problema e buscar auxílio profissional”. 

Texto produzido em 20/08/2019