Atualmente muito se debate sobre a nova condição da mulher na sociedade, principalmente quanto a igualdade, o que se tornou uma bandeira diária para o sexo feminino. Então, se voltarmos no tempo, dá para imaginar o que seria de difícil para uma mulher no século XVI tentar vencer os limites impostos pela sociedade a uma mulher que pretendia viver como artista plástica, mais precisamente, viver como pintora.
Sofonisba Anguissola conseguiu, muito embora tenha sido esquecida com o passar dos tempos. Ela viveu durante o período do Renascimento e foi pintora da corte espanhola por cerca de duas décadas, tendo sido a primeira mulher das artes plásticas a adquirir fama, sendo reconhecida como excelente retratista, merecendo a admiração de Michelângelo e Anthony van Dyck.
Sofonisba, também conhecida como Anguisciola, nasceu na Itália em 1532, filha de família nobre, mas relativamente pobre. Porém recebeu uma educação forte, incluindo belas artes, o que lhe proporcionou aprender com pintores locais, estabelecendo um precedente para que mulheres de sua época pudessem ser aceitas como estudantes de arte. Suas habilidades com corpos humanos só não chegou ao nível máximo porque naquele período era inadmissível que uma mulher pudesse ver pessoas nuas, mesmo que fossem outras mulheres, o que a impossibilitou de estudar anatomia ou mesmo de pintar observando modelos vivos.
Com o passar dos tempos foi para Madrid e tornou-se tutora de Isabel de Valois, mulher de Filipe II de Espanha, que era pintora amadora. Mais tarde se tornou pintora oficial da corte do rei, tendo adaptado o seu estilo para as exigências mais formais de retratos de membros da nobreza espanhola, produzindo quadros perfeitos, existindo histórias que algumas de suas telas já foram confundidas com obras de Leonardo da Vinci.
Anguisciola viveu até aos 92 anos de idade mas foi, pouco a pouco, sendo esquecida ou, ao menos, deixada ao largo, posto que os grandes artistas eram todos homens e nenhum espaço sobrava para exaltar uma mulher. Embora hoje ainda se diga que a luta feminina é árdua imaginem o quanto de superação tiveram as pioneiras para superar limites e abrir caminhos, então exclusivamente masculino, para as gerações futuras.