Noroeste Fluminense na luta contra o Covid-19

Noroeste Fluminense na luta contra o Covid-19Mesmo não estando no epicentro da pandemia, diversos municípios do interior tiveram que se adaptar à quarentena decretada pelo governo estadual no combate ao Covid-19. Devido ao número de suspeitos e de casos confirmados, o Noroeste Fluminense reforçou algumas medidas para facilitar o enfrentamento ao vírus, principalmente depois da situação de calamidade pública decretada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e sancionada pelo governador Wilson Witzel no dia 17 do mês passado.

Publicada em edição extra do Diário Oficial do Executivo, a Lei 8.794/20 estabeleceu o estado de calamidade em 66 municípios. Isso permite que o poder público tenha mais flexibilidade no orçamento em tempos de crise, podendo fazer contratações e compras de produtos e serviços de forma simplificada. O decreto legislativo, que é uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, vai até 1o de setembro deste ano, podendo ser prorrogado por novo decreto estadual que venha a ser reconhecido pela Assembleia.

O estado de calamidade, segundo a Alerj, abrange 71% de todos os 92 municípios do estado. Alguns deles se situam no Noroeste Fluminense, como Bom Jesus do Itabapoana, Cardoso Moreira, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade e Porciúncula. Dessa lista, até o dia 21 de abril, só havia casos confirmados em Bom Jesus (7), Itaperuna (10) e Porciúncula (1). Mas o aumento de casos suspeitos em algumas dessas cidades, como a própria Itaperuna, que registrava 267 suspeições naquele período, fez toda a região se precaver com barreiras sanitárias, tendo em vista o grande fluxo de motoristas que há na região por trabalharem em outros municípios.

Um auxiliar de entregas de uma empresa de frios, em Itaperuna, atua diariamente na região e revelou ao Mania de Saúde como tem sido o dia a dia na estrada. “A quarentena não foi algo restrito à nossa cidade. Ela atingiu a todos. Em Miracema, por exemplo, há uma barreira sanitária na entrada do município, com agentes da vigilância sanitária, corpo de bombeiros e guarda municipal. Eles pegam os dados dos veículos que chegam à cidade, pedem a documentação, aferem a temperatura corporal, verificam se você está utilizando máscara, fazem uma entrevista etc. No nosso caso, o caminhão ganhou um adesivo identificando que passou por essa inspeção, o que facilita o controle. Na entrada de São José de Ubá também há uma barreira com agentes sanitários e guarda municipal, que pegam seus dados, perguntam de onde você está vindo, para onde está indo, o que está transportando e solicitam o uso da máscara. O mesmo ocorre em Laje do Muriaé. A expectativa é a de que isso reduza as chances de o vírus circular por aqui, já que o trânsito é sempre grande entre essas cidades”, conta Silvio Inácio Mendes da Silva, lembrando que, em todas elas, o comércio segue o mesmo parâmetro definido pelo governo estadual: apenas os serviços essenciais, como mercados e farmácias, funcionam.

Outro fator que também tem auxiliado os municípios no combate ao Covid-19 é a rápida troca de informações entre as prefeituras e a Secretaria de Saúde do Estado, que tem permitido um melhor controle de confirmações e suspeições, favorecendo a elaboração de novas estratégias. Um levantamento realizado pela OKBR, também conhecida como Rede pelo Conhecimento Livre, por exemplo, avaliou que o “estado do Rio de Janeiro é o terceiro no Brasil e o primeiro no Sudeste com melhor qualidade de dados sobre a pandemia mundial da Covid-19”, de acordo com informações da própria secretaria. Somando 64 pontos de um total de 100 da avaliação, o Rio de Janeiro divulga um “bom” nível de informações, assim como o estado do Ceará. Apenas Pernambuco teve o nível de informações classificado como “ótimo”. Para o secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, esse levantamento mostra como o Governo do Estado está empenhado em disponibilizar as melhores ferramentas para um acesso unificado e simples à informação.

Nota: Com informações da Secretaria de Estado de Saúde do RJ