Aprenda a lidar com a ansiedade!

Você sabia que o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo? Pois é. O veredicto veio da própria Organização Mundial da Saúde, que constatou ser o Brasil o país com o maior número de pessoas ansiosas. Afinal, 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com a ansiedade, que já passou a fazer parte do dia a dia de todos e pode estar se intensificando nesse período de quarentena, como alertou a própria OMS.

A fim de abordar esse assunto, ouvimos a psicóloga Aline Horta, Graduada em PsTodos Matériasicologia Clínica com ênfase na área Organizacional, Pós-Graduada em Gestão de Pessoas (MBA), Graduada em Pedagogia pelo Centro Universitário São José, Graduada em Teologia pela Faculdade Católica de Anápolis (GO), Graduanda em Neuropsicologia, Professional and Self Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), especialista em processos de Coaching Executivo, Liderança e Carreira, qualificada para aplicar as ferramentas de Analista Comportamental e Assessment, além de especialista em Hipnose Ericksoniana, Constelação Familiar e intervenções com Força de Caráter.

Ela explica como o mundo de hoje tem contribuído para o aumento da ansiedade. “A sociedade pós-moderna vive com pressa. Isso requer cada vez mais energia e motivação da pessoa, que, por sua vez, sucumbe à ansiedade, dada à extrema angústia que experimenta ao tentar atender às mais diversas demandas. Algumas delas recorrem, então, à automedicação, ao uso de drogas lícitas e/ou ilícitas e os diversos tipos de terapia”, diz Aline, lembrando que a formatação pós-moderna da vida social cria uma condição humana na qual predominam o desapego e a versatilidade em meio à incerteza.

“Nesse sentido, a tecnologia pauta a vida cotidiana, em que um telefone celular que possui várias funções e se apresenta em nova versão a cada dia, torna-se imprescindível. Autores como Bauman abordam isso com propriedade. Segundo ele, na Sociedade Moderna, o indivíduo trabalhava e produzia. Em contrapartida, na sociedade Pós-Moderna, o sujeito trabalha e consome. O novo indivíduo consumista assume características líquidas e extrai a postergação do prazer de consumir e desloca-o para o imediato. A flexibilidade rege as relações e as estratégias, e os planos de vida só podem ser de curto prazo, também no trabalho. A frustração do ‘agente consumidor’ não é a falta do produto, mas a multiplicidade de escolhas disponíveis”, afirma.

Diante desse cenário, é importante que as pessoas aprendam a distinguir os níveis de ansiedade. De acordo com Aline, ela pode ser normal ou patológica.

“A ansiedade normal é aquela que precisamos ter para realizar nossas atividades diárias e a patológica gera transtorno, dor e sofrimento psíquico, como, por exemplo, bulimia, estresse pós-traumático, anorexia, TOC, ansiedade generalizada (TAG), depressão, entre outros problemas”, apontou.

Ela destaca ainda como o contexto atual pode interferir nesse processo. “Nós estamos vivendo um momento muito peculiar para o ansioso, pois ele possui uma necessidade de estar no futuro, de saber o amanhã. Ele sofre com as projeções que faz quanto ao porvir.

Esse período de incertezas, portanto, é desafiador. Mas, para trazer um ansioso para o agora, temos alguns exercícios que poderão auxiliá-lo nesse momento. Um deles é mudar o lado que você faz as coisas, começar a realizar tarefas com a mão que você não domina, como, por exemplo, escovar os dentes ou segurar o talher com a outra mão, bem como sentar em lugares diferentes à mesa (porque, dentro de um lar, vamos acostumando a nos sentar no mesmo lugar, deitar no mesmo lugar na cama etc.). Devemos também tomar banho prestando atenção no caminho que a água faz, observando como você ensaboa o seu corpo, pois nós fazemos essas coisas sem prestar atenção no agora. Fazemos tudo isso ligados no automático. Quando ainda não sabemos dirigir, por exemplo, ficamos impressionados com tantas coisas que temos que aprender, mas, depois que aprendemos, os movimentos são tão automáticos que simplesmente fazemos: passamos marchas, seguramos o volante, aceleramos, olhamos no retrovisor e damos setas sem perceber. Às vezes tem pessoas que falam que nem se recordam do caminho que fizeram, pois estavam totalmente no automático. Dar atenção aquele momento que você está vivendo, no que você está fazendo, prestar atenção no sabor dos alimentos, na cor das coisas, isso tudo ajuda a te trazer para o presente e controlar de certa forma a ansiedade”.

Aline lembra que, quando a ansiedade não é trabalhada, tratada e curada, pode virar uma fuga para alguma compulsão, abrindo caminho para outro distúrbio. “É importante que nós saibamos olhar para ela e, quem é ansioso, deve buscar fazer esses exercícios. Já quem convive com um ansioso deve ter paciência. Esse é um momento que poderá mudar e controlar o nosso comportamento. Transformando pensamentos negativos em positivos através da nossa comunicação interna e verbal. É importante ressaltar também que tudo passa, e, no caso dessa pandemia, ela também vai passar! Precisamos nos manter na positividade e nos blindar através de vibrações de amor, paz e tranquilidade para mantermos a nossa saúde emocional equilibrada”.