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Saúde
A cirurgiã-plástica Dra. Érika Guerra

Em junho, o Brasil acompanhou um caso de grande repercussão na área estética: um empresário faleceu duas horas depois de se submeter a um peeling de fenol na capital paulista. Incidentes como esse vêm se tornando cada vez mais comuns no país devido ao crescimento do mercado estético e à falta de uma regulamentação rigorosa no setor. Mas, além de questionar a atuação de cada profissional, é necessário discutir também o apelo estético presente na sociedade moderna, a fim de que as pessoas adotem uma postura mais reflexiva e cuidadosa ao decidirem mudar a aparência, priorizando, antes de tudo, a segurança.

SaúdePara abordar o assunto, o Mania de Saúde ouviu a cirurgiã-plástica Dra. Érika Guerra. Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), ela comenta alguns dos equívocos mais frequentes na hora de mudar a aparência. “Um dos grandes problemas observados hoje em dia é a falta de informação adequada antes de se submeter a um procedimento estético. Mas é fundamental, em primeiro lugar, conhecer bem quem será responsável pelo seu cuidado. É um médico? Se sim, está devidamente qualificado para realizar aquele procedimento? Caso ocorra alguma intercorrência, há suporte médico disponível? Isso é importante porque, atualmente, as pessoas estão muito destemidas, confiando seu corpo a diferentes profissionais sem garantir que possuem as qualificações necessárias para realizar esses tratamentos. Isso pode resultar em sérios riscos à saúde, além de resultados insatisfatórios, comprometendo a integridade física e emocional do paciente”, ressaltou.

Outro grande desafio, como lembra Dra. Érika, são os padrões de beleza impostos pela sociedade moderna, que podem criar expectativas irreais quanto aos resultados. “Estamos vivendo uma fase complexa na medicina, especialmente na área estética. As pessoas parecem sempre insatisfeitas, buscando incessantemente por mudanças, mas nem sempre de maneira adequada. Além disso, boa parte do público acaba seguindo os padrões estéticos impostos pela sociedade, perdendo assim suas características individuais. Parece que há uma produção em série de lábios, queixos e contornos faciais, o que não é o ideal”, opina a especialista. “Quando o paciente aponta algo em seu perfil que o incomoda, como o nariz ou o queixo, por exemplo, nosso papel é encontrar uma solução que atenda às suas necessidades, respeitando características e traços individuais. Solucionar uma queixa que prejudica a autoestima do paciente é inestimável e contribui diretamente para seu bem-estar. Mas isso não significa aplicar o mesmo tratamento de forma indiscriminada. Nem todo tipo de lábio ou contorno facial funciona para todas as pessoas. É fundamental buscar soluções que sejam compatíveis com o paciente, visando alcançar resultados mais satisfatórios e naturais”, acrescentou.

O uso de diferentes substâncias na área estética, como os famosos preenchedores, também requer atenção, como finaliza a cirurgiã. “Hoje o apelo estético é muito grande. Daí a necessidade de as pessoas buscarem profissionais qualificados, a fim de garantir a segurança e eficácia desses procedimentos. Substâncias como o Metacril, por exemplo, não são mais recomendadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nem pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, pois causam diversas complicações à saúde. No entanto, esse produto continua sendo usado para preenchimentos, sem que as pessoas sejam informadas sobre isso”, frisa Dra. Érika. “Ao optar por um tratamento estético, portanto, é essencial compreender os produtos empregados e os potenciais impactos na saúde, pois só assim o paciente conseguirá atingir um resultado satisfatório e seguro”.