Você tem pressão alta?

Você tem pressão alta?A hipertensão arterial é, sem dúvidas, uma das grandes preocupações das autoridades de saúde em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, o número de indivíduos com hipertensão passou de 650 milhões para 1,3 bilhão ao longo das últimas décadas. Além disso, quatro em cada cinco pessoas com hipertensão não recebem o tratamento adequado, pois trata-se de uma doença silenciosa, o que aumenta a importância da consulta médica regular. Mas quais são as verdadeiras consequências da hipertensão para o indivíduo? Como lidar com esse problema de forma eficaz?

Para responder a estas perguntas, no mês em que se celebra o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial (26 de abril), o Mania de Saúde foi até a Clínica Santa Maria e ouviu o médico Dr. João Batista Cherene Júnior, especialista em cardiologia. Graduado em Medicina pela Universidade Iguaçu (Campus IV – RJ), com pós-graduação em cardiologia pelo Instituto de Pós-Graduação Médica do Rio de Janeiro e Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, tendo vasta experiência no atendimento público e privado, ele explica como a hipertensão ocorre.

Você tem pressão alta?
Dr. João Batista Cherene Júnior

“A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma doença que compromete os vasos sanguíneos, coração, cérebro, olhos e pode causar alteração da função renal. Ocorre quando os valores da pressão arterial estejam frequentemente acima ou igual a 140/90 mmHg. Os sintomas da hipertensão, por sua vez, são diversificados. Ela pode causar dor de cabeça, tontura, percepção de visão embaçada, zumbido no ouvido e dores no peito. No entanto, em muitos casos, a doença se manifesta de forma silenciosa, sendo observada apenas por meio do hábito de aferir a pressão regularmente”, alertou.

Segundo Dr. João Batista Cherene Júnior, apesar de não ter cura na maioria das vezes, a hipertensão pode ser controlada com medidas não farmacológicas (mudança do estilo de vida e hábitos alimentares) e terapia medicamentosa. “Nesse contexto, é importante aferir a pressão regularmente, manter uma alimentação saudável, reduzir o consumo de sal, praticar atividades físicas, diminuir o consumo de álcool, evitar o tabagismo e, se usar medicamentos, seguir a prescrição médica e não abandonar o tratamento”, orienta o médico. “Por fim, é necessário tentar controlar o estresse. Uma postura mais tranquila em relação aos problemas vai ajudar você a ter uma vida mais saudável, longa e feliz”.

Tendências Alarmantes

Dados do Ministério da Saúde revelam que, nos últimos anos, houve um aumento na taxa de mortalidade relacionada à hipertensão arterial em pessoas com 60 anos ou mais. Em 2019, as faixas etárias de 60 a 69 anos, 70 a 79 anos e 80 anos ou mais apresentavam, respectivamente, 28,1, 69,6 e 283,2 óbitos por 100 mil habitantes. Em 2021, esses números saltaram para 41,4, 97 e 381,7. Nas três faixas etárias, os resultados foram os maiores dos últimos dez anos.

Vale ressaltar, também, que a hipertensão não é um problema restrito aos idosos. Pelo contrário: conforme destacou a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a frequência de adultos (18 anos ou mais) do conjunto das capitais brasileiras que referiram diagnóstico médico de hipertensão arterial foi de 26,3%. Em 2011, esse percentual era de 24,3%. Isso explica por que a doença está cada vez mais chamando a atenção da sociedade, podendo comprometer a saúde e a qualidade de vida dos mais diferentes tipos de público. Sendo assim, não arrisque: mantenha suas consultas médicas em dia e se cuide!