Meu filho está com micose! E agora?

Meu filho está com micose!O verão está perto do fim e este foi um período de grande diversão para a maioria dos brasileiros. Mas é exatamente nessa hora que muitos pais enfrentam uma nova preocupação em relação à saúde de seus filhos: as micoses. Quem nos fala sobre o assunto é a médica pediatra Dra. Cinthia Guimarães, que se dedica à área de dermatologia infantil. “As micoses superficiais são infecções fúngicas que podem acometer pele, mucosa, cabelos e unhas. São dermatoses infecciosas de grande importância na pediatria, devido à sua elevada frequência na população infantil. São doenças que podem gerar grande incômodo e, por isso, piorar a qualidade de vida dos pacientes e seus cuidadores”, alertou Dra. Cinthia.

Ela detalha, também, como ocorre esse tipo de infecção. “A micose passa de uma pessoa para outra por contato. O fungo pode estar no chão, na água ou em objetos como sapatos ou toalhas. Quanto maior o calor ou a umidade, maior a proliferação e o risco de contágio. Há também o contato por animais infectados, por isso é importante observar a pele e o pelo de seus animais de estimação. Diante de qualquer alteração como descamação ou falhas no pelo, por exemplo, é importante procurar o veterinário”, afirma.

Segundo Dra. Cinthia, existem diferentes maneiras de evitar o surgimento das micoses. “Para prevenir o contágio dessas infecções, é importante adotar algumas medidas, como não compartilhar toalhas, meias, roupas íntimas e bonés; evitar ficar com roupas molhadas por muito tempo; enxugar muito bem o corpo após o banho, principalmente as dobras, além de não andar descalço em pisos constantemente úmidos, como saunas, vestiários/banheiros de clubes e academias. Leve sempre seus chinelos para estas ocasiões”, explica a médica.

As orientações, contudo, não terminam aí. “É importante não usar calçados fechados por longos períodos e optar pelos mais largos e ventilados. O ideal é não usar o mesmo calçado por dois dias seguidos. Guarde-o em local arejado. Evite também os tecidos sintéticos, principalmente nas roupas íntimas. Prefira sempre tecidos leves, como o algodão. Nas crianças com dermatite de fraldas, é importante trocar as fraldas frequentemente, evitando o ambiente úmido. Nestes casos, as fraldas descartáveis são preferíveis às de pano e fazer limpezas apenas com água, evitando uso de lenços umedecidos. Já nas crianças com candidíase oral, é importante fazer a esterilização das chupetas e mamadeiras”.

Por fim, Dra. Cinthia destaca a abordagem empregada no cuidado desses pacientes. “O diagnóstico é clínico e, em casos duvidosos ou com falhas terapêuticas, podem ser necessários exames complementares por meio do exame micológico direto, no qual ajuda identificar o tipo de fungo que está acometendo a região afetada. O tratamento das micoses é sempre prolongado e pode variar entre medicações tópicas ou oral. É importante seguir o tempo determinado pelo seu médico, mesmo que as lesões já tenham sumido previamente, pois os fungos podem resistir nas camadas mais profundas”.

Conheça as infecções mais comuns

Tineas: Doenças causadas por um grupo de fungos que vive às custas da queratina da pele, pelos e unhas. Quando acometem o couro cabeludo, nós denominamos de tinea capitis. É a dermatofitose mais comum da infância, principalmente entre a faixa etária de 3 a 9 anos. Formam pequenas placas arredondadas nas quais os fios não crescem. Em geral, a região coça muito e arde. A tinea corporis é a segunda dermatofitose mais comum na infância, apresentam-se como placas eritematosas descamativas com coceira associada. A tinea do pé (popularmente conhecida como “pé-do-atleta” ou “frieira”) é mais comum em adultos e adolescentes e podem se manifestar na forma interdigital, vesicobolhosa e escamosa.

Pitiríase versicolor: popularmente chamada de “micose de praia” ou “pano branco”. Ela é causada pelo fungo Malassezia furfur, um habitante natural da pele. O calor e a oleosidade provocam sua multiplicação e fazem surgir manchas ou placas nas costas, no pescoço ou no rosto que variam do branco ao castanho.

Diferentemente dos outros fungos, essa não coça. É mais comum em adolescentes e adultos, entretanto, na minha prática clínica, cada vez mais as crianças vêm sendo acometidas.

Dra. Cinthia Guimarães - Meu filho está com micose!
A médica pediatra Dra. Cinthia Guimarães

Candidíase: são causadas por leveduras do gênero Candida. A Candida albicans faz parte da flora normal cutânea e intestinal, podendo adquirir caráter patogênico na presença de fatores de risco, como: idade, distúrbios endócrinos e nutricionais, condições imunossupressoras, prematuridade, uso de antibiótico, trauma e procedimentos médicos. Pode causar lesões em qualquer parte do corpo, sendo as apresentações mais comuns o intertrigo por cândida, a candidíase orofaringe (comum em recém-nascido), a queilite angular (comum em idosos), a dermatite de fraldas e a candidíase interdigital.

Onicomicose: é a micose das unhas, tanto dos pés, quanto das mãos. Caracteriza-se por alterações na cor da unha, descolamento, fragilidade, quebra, fendas, deformações. É relativamente rara em crianças, representando cerca de 15,5% de todas as distrofias ungueais dessa faixa etária. Isso ocorre devido ao rápido crescimento da unha, menor trauma e menor exposição aos fungos. Na adolescência essa prevalência aumenta e também é maior nos pacientes imunocomprometidos.