Ele faz parte da nossa história

Ele faz parte da nossa história
Artista já fez homenagem ao jornal, com quadro entregue a Sylvio Muniz, que muito incentivou seu trabalho nas artes

O artista plástico Adriano Ferraioli fala sobre sua passagem pelo jornal e sua amizade com Sylvio Muniz, além dos rumos de sua carreira nas artes em geral

De 1999 até 2016, os leitores do Mania de Saúde foram agraciados com as “tiradas” do saudoso Van Grog. Ao contrário do introspectivo pintor holandês, o personagem de Adriano Ferraioli sempre ocupava nossas páginas com ditos espirituosos e, não raro, passando vergonha alheia com trocadilhos em horas impróprias… O mesmo não se pode dizer de Ferraioli, seu criador, que por muitos anos forneceu a mais alta cultura aos nossos leitores, por meio de uma pequena coluna, onde abordava a história da arte e comprovava que os melhores perfumes estão nos menores frascos. Para lembrar um pouco dessa trajetória, o Mania de Saúde entrevistou Ferraioli, que discorreu sobre sua passagem pelo jornal (bem como a amizade com Sylvio Muniz), além de contar os rumos de sua carreira nas artes em geral. Confira!

Ele faz parte da nossa históriaMania de Saúde – Como você conheceu o Mania de Saúde?

Adriano Ferraioli – Lembro que, no finalzinho dos anos 90, estava em Campos, por ocasião de uma Greve Nacional dos professores na UFMG, Universidade na qual finalizava o Curso de Belas Artes. Nesse período, eu estava muito ligado às artes gráficas, quadrinhos, caricaturas, charges e afins. Daí que eu estava na casa dos meus pais, folheando o Jornal Mania de Saúde, quando surgiu a ideia de publicar uma tirinha mensal no mesmo, pois já tinha um personagem criado: Van Grog. Fui com a cara e a coragem à Sede do Jornal, quando prontamente me recebeu o Sr. Sylvio Muniz, uma figura elegante e altiva, que para além de aceitar publicar meus cartoons, me propôs escrever uma coluna mensal com 15 linhas, um grande desafio pessoal à época. Quando retornaram as aulas em Belo Horizonte, enviava os arquivos pelos correios, em um disquete, quanta evolução! Ao longo dos anos, uma grande amizade e parceria foi se consolidando, Sylvio assumindo o papel de Mecenas e divulgador, me apoiando e patrocinando nas exposições e Vernissages e, por outro lado, os leitores me reconhecendo e reafirmando como artista e colunista a partir do Jornal.

Ele faz parte da nossa história

Mania de Saúde – Como avalia o Mania de Saúde hoje, enquanto leitor?

Adriano Ferraioli – Acompanho a evolução do jornal há muitos anos, tanto na parte gráfica quanto editorial e sempre percebo mudanças para melhor, um jornal mais “enxuto” e bem diagramado, com a imparcialidade e confiança de sempre, que mantém seu alcance e público-alvo cativo, no jornal impresso e nas mídias sociais. Ressalto ainda as reportagens e matérias sazonais, como as de prevenção automotiva pré-férias ou a busca pelo milagre do corpo perfeito no final do ano, entre outras.

Mania de Saúde – Poderia contar, também, sobre sua vida profissional na atualidade?

Adriano Ferraioli – Logo ao me formar, nos anos 2000, recebi o convite para lecionar desenho de observação e artes gráficas no Curso de Estilismo da Universidade Candido Mendes. Aceitando mais esse desafio, comecei a trabalhar como professor, nesta e em outras instituições de ensino. Atividade profissional que em muito me identifiquei e a que mais me dedico hoje em dia. Tenho muito orgulho e satisfação em contribuir para o desenvolvimento estético dos nossos alunos, lecionando no IFF Campus Campos Centro, no Curso de Arquitetura e Urbanismo e Ensino Médio, Instituição que prima pelo ensino das Artes. Mas ainda continuo me aventurando e diversificando no fazer artístico, pintando aquarelas e telas, fazendo urban-sketchings, criando esculturas em metal e luminárias, praticando marcenaria, restauro de antiguidades como hobby e ainda me aventurando no universo musical (violão e guitarra) e esportivo (ciclismo e beach tênis).

Mania de Saúde – Por fim, como avalia o cenário cultural na cidade hoje em dia?

Adriano Ferraioli – Confesso que estou um pouco afastado do meio cultural da Cidade, o que me impede de opinar sobre as políticas e ações públicas, assim como das instituições culturais de interesse na área e iniciativas particulares, mas sempre tenho uma visão otimista em relação a esse tema. Por outro lado, percebo que Campos tem uma forte representação na área musical, com excelentes bandas de Rock e tradição no Samba e nas bandas de fanfarra, por exemplo. Nas Artes Plásticas conta com o Movimento Urban Sketching bem representado também, assim como na Arte Urbana: Grafitagem. O que eu sinto falta é da Preservação do patrimônio histórico e cultural. Recentemente, entre outras tragédias do gênero, assistimos ao incêndio do Hotel Flávio. Tenho também preocupação com a perpetuação das receitas das nossas famosas doceiras, assim como das manifestações do folclore local, como o Ururau da Lapa e Manachica e até do vocabulário “campistês”, entre cabruncos e lamparões.