As doenças da pele no inverno

As doenças da pele no inverno
A médica dermatologista Dra. Roberta Cesário

Ressecamento da pele traz problemas nas estações frias

Com a chegada das estações mais frias, vários fatores contribuem para um maior ressecamento da pele. Algumas doenças se exacerbam e outras surgem com mais frequência. Ajuda a agravar este processo de ressecamento os banhos quentes, que diminuem a oleosidade natural que temos na pele e o manto hidrolipídico, responsável pela hidratação da pele. A água quente leva a uma vasodilatação dos vasos da pele, deixando-a mais sensível, avermelhada. Tudo isso contribui para a piora de algumas doenças, que por si só já apresentam alguma característica de ressecamento.

Para abordar o tema, conversamos com a médica dermatologista Dra. Roberta Cesário. Segundo ela, as doenças mais comuns nesse contexto são a dermatite seborreica (a famosa caspa), a dermatite atópica, a psoríase e a ictiose, além da foliculite. Vamos falar sobre cada uma delas?

Dermatite Seborreica

“Geralmente as pessoas já têm este problema que é agravado no inverno. É causado por uma inflamação da pele do couro cabeludo, que desencadeia descamação e vermelhidão. Os locais mais acometidos são onde nós temos mais pelos, como a sobrancelha, na pálpebra, nos vincos do nariz, atrás da orelha, couro cabeludo e tórax, tanto anterior quanto posterior. É uma doença crônica, então, não há cura, mas controle. O stress, o frio, a água quente e a alimentação gordurosa podem causar a piora, além do fator genético. Não é contagiosa e não está ligada à falta de higiene, como muita gente acha. Os sintomas são o aumento da oleosidade desses locais com escamas esbranquiçadas ou amareladas e coceira. No local acometido pode ocorrer também a perda de pelo”.

As doenças da pele no inverno Dermatite Atópica

“Também é uma doença crônica que podemos controlar com tratamento, além de não ser contagiosa e ter um componente hereditário. O clima é um fator importante na exacerbação, mas também existem outros fatores, como poeira, cheiros fortes, pelos de animais. Ela ocorre por uma alteração nesta barreira cutânea, que o paciente já apresenta alguma deficiência de proteção, sendo geneticamente alterada. Com o frio e o banho quente, a integridade desta barreira é ainda mais afetada, a pele fica muito ressecada, surge muita coceira em alguns lugares específicos e acaba evoluindo com feridas e manchas. É mais comum em crianças, e na adolescência tende a suavizar. Se localiza com mais frequência em locais de dobras”.

Psoríase

“Em comum com as doenças mencionadas anteriormente, a psoríase também é uma doença crônica, não contagiosa, pode ser controlada por tratamento e se apresenta de forma cíclica, com momentos de melhora e de piora. Os sintomas variam muito de acordo com o local e o tipo de lesão. Podem ser manchas ou placas avermelhadas geralmente cobertas com escamas, secas, esbranquiçadas ou prateadas. Se localiza na forma clássica em áreas extensoras como cotovelos, joelhos, dorso dos dedos, tornozelos. Dependendo da forma clínica, pode se apresentar também nas palmas das mãos, plantas dos pés e couro cabeludo. Ela pode acometer não só a pele, mas também as articulações. A causa é desconhecida, mas se sabe que há fatores genéticos, stress e a interação com o meio ambiente como desencadeadores da psoríase”.

Na próxima edição, você vai saber mais sobre outras doenças que causam danos na pele nas estações mais frias do ano.