Está na hora de valorizar a saúde mental!

Foto ilustrativa
Janeiro é um mês simbólico para toda a sociedade. Afinal, ele marca a chegada de um novo ano, que sempre traz uma atmosfera de recomeço e esperança para as pessoas. É nesse contexto que diversos órgãos da área da saúde promovem a campanha Janeiro Branco, que visa chamar a atenção para as questões relacionadas à Saúde Mental e Emocional das pessoas, reforçando a necessidade de debater o tema junto ao público. É o que nos conta o médico psiquiatra Dr. Leonardo Bacelar, Diretor da Clínica Proteus, que é especializada em medicina ocupacional e engenharia de segurança do trabalho. “A campanha Janeiro Branco foi idealizada para o primeiro mês do ano a fim de aproveitar esse momento de reflexão e de planejamento atrelado à simbologia de recomeço. Assim, o principal objetivo é discutir a relevância da saúde mental e do cuidado com as emoções. A importância da campanha é estimular a conscientização da sociedade quanto à saúde mental e o bem-estar emocional”, diz o médico, respondendo se ainda há muito preconceito em torno do tema. “Sim, ainda há muito preconceito, por isso é necessário promover debates sobre os tratamentos psiquiátricos, além de promover a educação preventiva e contribuir para a formação de ideias que valorizem a saúde mental. Debater tais questões estimula a busca de soluções e diminui os desajustes que a ausência de tratamento adequado pode acarretar”. Outra grande questão inerente à campanha é a necessidade de reforçar a importância do acompanhamento profissional. Sobre isso, Dr. Leonardo comenta quando é a hora certa de ir ao psiquiatra. “Temos que pensar sempre na nossa saúde mental. A partir do momento em que percebemos que estamos tendo dificuldades com a manutenção e a estabilidade da nossa saúde mental, a consulta com o psiquiatra é bem-vinda. Durante muito tempo foi criado um preconceito sobre a consulta com o psiquiatra, ainda hoje existe preconceito, mas temos que pensar preventivamente, em nos avaliarmos antes de adoecermos. Prevenção sempre!”, disse. As causas que levam a pessoa a buscar um psiquiatra, segundo o médico, são diversas e não têm a ver com o “estar louco” ou “ir a médico de doido”, como crenças ultrapassadas sugeriam. Refere-se a reconhecer suas próprias emoções e perceber que algo está limitando a sua vida. “Vivemos em um mundo que exige cada vez mais interação social, qualificação, esforço, posicionamento e dedicação profissional, o que pode levar a estresse e esgotamento psicológico e problemas de saúde, tanto física como mental. Alguns transtornos podem ser desencadeados por razões claras, como pressão no trabalho, problemas familiares ou dificuldades financeiras, mas outros podem se desenvolver de forma silenciosa, aos poucos e sem uma causa aparente, relacionados aos ambientes de vida e aos comportamentos relativos a esses ambientes. O risco de não procurar um psiquiatra é deixar que o distúrbio se agrave ou leve a outro comportamento mais grave. Os problemas tratados por psiquiatras são aqueles relacionados às emoções e aos comportamentos associados às disfunções do cérebro. O psiquiatra trata de doenças como Ansiedade, Depressão, Transtornos do sono, Dependência química, Síndrome do pânico, Transtornos de personalidade, TDAH, Autismo, Transtorno bipolar, Transtornos alimentares, Esquizofrenia, entre outros”, orienta Dr. Leonardo. Ele comenta, por fim, como a sociedade e o sistema de saúde em geral têm lidado com o fenômeno do aumento de casos de ansiedade e depressão nos dias de hoje. “Grande parte das desordens mentais podem estar ligadas à carga da depressão, estresse e ansiedade e há associação entre essas enfermidades e o desenvolvimento de problemas psíquicos mais graves. O estigma relacionado à saúde mental é inegável, gera preconceito e discriminação, envolve o indivíduo que sofre do transtorno psiquiátrico, seus familiares, a medicação e outras formas de tratamento, as instituições e a equipe onde o tratamento é realizado. Ainda há uma falta de preparo dos médicos generalistas para lidar com distúrbios psiquiátricos, tanto leves quanto graves, apesar de observarmos alguns avanços no decorrer das últimas décadas. Temos que estimular o conhecimento multidisciplinar e a psicoeducação para, cada vez mais, diminuirmos o estigma sobre as desordens mentais”.