O jeito certo de cuidar bem do Pug

Dra. Lina Goulart, da Procamp
Dra. Lina Goulart, da Procamp

Só a carinha desse animalzinho já é suficiente para derreter o coração de muita gente. Mas todo esse aspecto carinhoso e tranquilo esconde um ser que exige uma série de cuidados. Estamos falando do Pug, uma das raças caninas mais buscadas por boa parte do público, mas que nem sempre é de fato conhecida pelos futuros criadores. Será que todos sabem, por exemplo, que esse cãozinho precisa estar sempre em um local fresco e ventilado?
Pois é. Esta é apenas uma das muitas dúvidas que tiramos com a médica veterinária Dra. Lina Goulart, da Procamp, que falou sobre o animalzinho para o nosso Guia de Raças. Segundo ela, tudo já começa pela atenção dada ao animal. “O tutor deve pensar muito bem no tempo disponível, porque o Pug é um cachorro muito amigo, muito carinhoso, mas que requer muitos cuidados. Afinal, é uma raça braquicefálica, de nariz curto, que apresenta problemas para respirar e necessita estar sempre em um lugar fresco e ventilado”, diz Dra. Lina. “É preciso ter cuidado, também, com as dobrinhas, como aquelas localizadas perto do nariz, aquelas pregas sobre a cauda, para não dar dermatite. Deve-se mantê-las sempre limpinhas, sempre sequinhas, não podem ficar úmidas. São cuidados que a gente tem que ter a mais com o Pug pelas peculiaridades da raça”.
Segundo a médica veterinária, no que diz respeito à vacinação e vermifugação, o processo é o mesmo de muitos cães. “O esquema de vacinação é o padrão: três doses, se começar com a V10, ou 4 doses, se for a V8, com intervalo de 30 dias. A V10 a gente faz três doses com intervalo de 21 dias. É necessário fazer também o reforço anual da V8 ou V10, da antirrábica, além da giárdia e a vacina contra bordetella, que é a tosse dos canis. Todas essas são feitas quando filhote, dá o reforço e, depois, tem que haver um reforço anual. No Brasil, nós precisamos vacinar nossos cães anualmente, porque temos uma população canina errante, um número muito grande de animais não vacinados”, alerta Dra. Lina.
Ela destaca algumas medidas importantes em relação ao dia a dia em casa. “É necessário sempre manter a ventilação, deixando o Pug em um local bem arejado. Ele precisa ficar na área mais fresquinha da casa, mesmo no quarto, com ar refrigerado, porque eles sentem muito calor. Por isso que, para dissipar calor, eles deitam com a barriguinha em contato com o chão frio, sempre com a língua para o lado de fora. Outra medida necessária é fazer a dosagem correta da alimentação, porque ele tende a ser um animal que come bastante e pode vir a ficar obeso. O comedouro deve ser próprio para nariz achatado, porque o Pug tem aquele nariz chato e, se for um comedouro estreito, ele não vai conseguir comer bem. Lembrando que deve ser uma alimentação indicada para a raça, com os croquetes adequados por causa da mastigação também. Por ser um animal de focinho curto, a dentição dele é mais peculiar e precisa de um croquete maior para ele apreender e mastigar melhor”.
A saúde do Pug, de acordo com Dra. Lina, também possui algumas características que exigem um cuidado maior. “O que é mais comum no Pug são os problemas relacionados à obesidade, porque ele é um animal tranquilo, não é muito de correr, não é agitado e, por isso, é até mais indicado para pessoas idosas, pois ele fica ali deitado, perto do dono, calminho, então, ele tem muita tendência à obesidade. Com isso, acabam surgindo problemas articulares, diabetes e eles têm também muitos problemas quanto à formação de cálculo dentário, pela peculiaridade da dentição, além de problemas oftálmicos, por causa dos olhos bem protuberantes. São coisas que a gente tem que ter muito cuidado com o Pug e sempre estar limpando aquelas dobrinhas perto do olho, sempre limpando com produto indicado e secando, deixando aquilo ali bem sequinho, porque se não pode vir também as dermatites”.
No mais, segundo a médica veterinária, deve-se refletir bem antes de ter o animal, já que é comum algumas pessoas terem o Pug, mas depois reclamarem dos problemas. “Acontece muito, por exemplo, de comprar um Pug para uma criança, que não vai dar conta de ter esses cuidados todos, ou comprar um Pug para um adolescente, que está na fase de sair, de namorar, mas acaba outra pessoa da família se encarregando do animalzinho, porque ele absorve muito a pessoa. É um animal muito carinhoso e dependente do dono, mas que, como se vê, exige muito cuidado. É importante, então, estar ciente disso”, finaliza.