Zumbido? Se liga nessa dica!

Dra. Eliana Mancini, sócia-proprietária e fonoaudióloga responsável pela Sonoris Campos
Dormir bem, como se sabe, proporciona diversos benefícios à saúde, gerando uma grande influência em nosso bem-estar físico e mental. Mas existe um problema que pode prejudicar bastante a qualidade do sono em grande parte das pessoas: o zumbido no ouvido, que costuma se manifestar com mais intensidade no período noturno, pela diminuição natural dos ruídos a nossa volta. Além de ser muito comum, o problema causa um enorme desconforto no dia a dia e, não raro, gera imensas dúvidas. Para abordar o assunto, o Mania de Saúde conversou com a Dra. Eliana Mancini, sócia-proprietária e fonoaudióloga responsável pela Sonoris Campos. Ela explica como o problema é definido. “A Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia tem vários estudos sobre o zumbido. Eles definem como uma ilusão auditiva, já que apenas a pessoa escuta o zumbido. Para alguns pacientes, o problema se assemelha ao som de uma fábrica, enquanto outros dizem que parece uma panela de pressão ou mesmo um apito, mas todos são unânimes em dizer que o zumbido incomoda muito, existindo pessoas que até cometeram suicídio por conta disso”, afirma Dra. Eliana. “O zumbido, portanto, é uma sensação sonora que não tem relação com estimulação externa, sendo que a falta de estimulação externa é, justamente, o que potencializa a sensação desse zumbido”, complementou. Dra. Eliana esclarece, também, o que provoca o zumbido. “Existem causas imunológicas, psiquiátricas, entre muitas outras. Mas, normalmente, a maior incidência desse zumbido está relacionada à perda auditiva. Por isso, quando o paciente chega à gente, ele vem por meio da indicação de um médico otorrinolaringologista. Ele é quem vai avaliar aquele paciente e estudar a necessidade de exames complementares ou de outras especialidades. E, quando o otorrino já tem o resultado da audiometria em mãos, existe uma grande possibilidade de a gente resolver o problema do zumbido corrigindo essa perda auditiva. Até porque o paciente vai passar a ouvir coisas que ele não ouvia. Esses ruídos que ele não ouvia, portanto, camuflam o zumbido, existindo diferentes formas de a gente ir orientando esse paciente nesse processo”, revela. A fonoaudióloga faz, contudo, um alerta importante quanto a isso. “O aparelho auditivo só é utilizado quando há uma perda auditiva e a gente vê que ele pode resolver também o problema do zumbido. Porque você não vai botar o aparelho numa pessoa que só tem o zumbido e a audiometria dela está perfeita. Aí convém avaliar para ver se não há outros fatores ocasionando esse problema”, ressalta Dra. Eliana. “É importante dizer que o aparelho auditivo não é um remédio para o zumbido. Não se deve jamais protetizar alguém apenas por conta do zumbido. Porém, se tiver a perda auditiva presente, a gente tem recursos para ajudar a pessoa, com resultados muito satisfatórios nesses casos”, acrescentou. Dra. Eliana comenta, ainda, como o paciente deve proceder. “O primeiro profissional que ele deve procurar é o otorrinolaringologista, porque a maior parte das causas está relacionada ao nervo auditivo. O otorrino vai avaliar e ver a necessidade de encaminhar o paciente para outros profissionais, como um neurologista, ou um psiquiatra, já que depende de cada caso. Quando o paciente vem até nós com o diagnóstico de perda auditiva e também zumbido, muitas vezes basta corrigir essa perda para resolver o problema. Mas quando o paciente chega sem ser por encaminhamento médico, a gente encaminha para ele, porque é importante proteger esse paciente, já que nem sempre a perda auditiva está causando o zumbido. A maior parte dos casos sim. Mas existem vários fatores que podem causar o problema. Daí a importância desse encaminhamento”.