Só leia se você sofrer com GOTA!

Quem já teve crise de gota sabe o quanto a doença pode afetar a rotina daqueles que sofrem com o problema. Conhecida por muitos como o reumatismo nos pés, a gota é uma doença inflamatória que acomete sobretudo as articulações e ocorre quando a taxa de ácido úrico no sangue está em níveis acima do normal (hiperuricemia). O quadro clássico consiste em uma dor que, frequentemente, começa durante a madrugada e é intensa o suficiente para despertar o paciente, ocasionando grande incômodo.
E, nessas horas, é muito comum ele se perguntar o que, de fato, causa o problema. Segundo o portal da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), o aumento nas taxas de ácido úrico no sangue pode ocorrer tanto pela produção excessiva quanto pela eliminação deficiente da substância. A entidade salienta, contudo, que nem todas as pessoas que estiverem com a taxa de ácido úrico elevada desenvolverão a gota.
Ainda de acordo com a SBR, a maioria dos portadores de gota é composta por homens adultos com maior incidência entre 40 e 50 anos e, principalmente, em indivíduos com sobrepeso ou obesos, com vida sedentária e usuários de bebidas alcoólicas com frequência. As mulheres raramente desenvolvem gota antes da menopausa e geralmente têm mais de 60 anos de idade quando a desenvolvem.
Os sintomas também são variados. Com o aumento da concentração de ácido úrico no sangue, ocorre a deposição de cristais nos tecidos, principalmente nas articulações, causando inflamação e, consequentemente, dor e inchaço, acometendo principalmente as articulações do dedão, tornozelos e joelhos. A gota é caracterizada, inicialmente, por ataques recorrentes de artrite aguda, provocados pela precipitação, nos espaços articulares, de cristais de ácido úrico. Daí o sintoma mais conhecido ser a dor durante a madrugada.
Embora qualquer articulação possa ser afetada, sobretudo as dos membros inferiores, o hálux (dedão) é a articulação mais frequentemente envolvida na primeira crise. Além da dor, a articulação comumente apresenta-se inflamada, com presença de calor, rubor (vermelhidão) e inchaço. Também pode haver formação de cálculos, produzindo cólicas renais e depósitos de cristais de ácido úrico debaixo da pele, formando protuberâncias localizadas nos dedos, cotovelos, joelhos, pés e orelhas (tofos).
O diagnóstico de gota, conforme ressalta a SBR, é feito sobretudo após uma história clínica bem-feita, associada aos exames mostrando níveis elevados de ácido úrico no sangue. Outros exames podem ser solicitados, como radiografias e dosagem de ácido úrico na urina. A entidade lembra, ainda, que não há cura definitiva para a gota. O tratamento visa diminuir a dor e inflamação nas crises agudas e a correção da hiperuricemia subjacente com o objetivo de prevenir episódios futuros e evitar lesões nas articulações. É necessário evitar os fatores desencadeantes ou que propiciam a formação de ácido úrico, além de um aumento na ingestão de líquidos para otimizar a taxa de fluxo urinário.
Sem tratamento, as crises leves geralmente desaparecem depois de um ou dois dias, enquanto as crises mais graves evoluem rapidamente para uma dor crescente em algumas horas e podem permanecer nesse nível durante uma semana ou mais. O desaparecimento completo dos sintomas pode levar várias semanas. Após a primeira crise, em geral, o paciente volta a levar uma vida normal, o que comumente faz com que ele não procure ajuda médica imediata. Uma nova crise, entretanto, pode surgir em meses ou anos. Sem tratamento, o intervalo entre elas tende a diminuir e a intensidade a aumentar. Daí a necessidade do devido acompanhamento regular com o médico e as medidas de prevenção.