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Libido em baixa? O que fazer para melhorar?

Dentre os muitos problemas que temos tido durante a pandemia do novo coronavírus, casais têm se queixado da diminuição da libido. Este problema pode ter diversas causas e se manifestar de formas diferentes em homens e mulheres. Para entender mais sobre o assunto, nossa reportagem conversou com a médica psiquiatra Dra. Gabriela Dal Molin, da Clínica Vila Verde, referência em Psiquiatria em nossa região.
Mania de Saúde – A perda de libido pode ter causas diferentes em homens e mulheres? Quais seriam essas diferenças?
Dra. Gabriela Dal Molin – Sim. A principal diferença é a questão hormonal. No homem o hormônio é a testosterona e na mulher é o estrogênio e a progesterona. A mulher, depois dos 40 anos, por exemplo, quando há uma queda expressiva dos hormônios, já existe uma condição quase natural da diminuição da libido, de aumento de gordura percentual. Em contrapartida, hoje nós sabemos que as questões que dizem respeito à queda da libido também estão relacionadas à questões psiquiátricas, como o aumento do estresse, transtorno de ansiedade e depressão. Nesse aspecto nós acabamos não vendo diferença entre homens e mulheres.
Mania de Saúde – Em tempos de isolamento social muitos casais se queixam da diminuição do apetite sexual. A pandemia pode ter influenciado nisso?
Dra. Gabriela Dal Molin – Com certeza a pandemia tem um peso nessa questão. Tenho atendido muitos pacientes de ambos os sexos, casais, se queixando da diminuição da libido. A pandemia vem se estendendo, e com ela, o isolamento social, a alteração do dia a dia, os filhos passando mais tempo em casa, a rotina mais extenuante, a situação socioeconômica mais dificultosa que estamos enfrentando, são questões bem relacionadas à diminuição do desejo sexual, tanto para homens quanto para mulheres.
Mania de Saúde – A psiquiatria pode ajudar nesses casos? Como é o tratamento?
Dra. Gabriela Dal Molin – A psiquiatria vem ajudando muitas pessoas nesse período, o número de atendimentos tem aumentado consideravelmente nos consultórios psiquiátricos. É importante salientar que, quando a gente tem um enfoque psiquiátrico, não é apenas a medicação, mas envolve também uma escuta. Existem sim medicamentos que podem auxiliar. Muitas vezes eu encaminho para uma avaliação endocrinológica ou com nutrólogos, nutricionistas. Geralmente é um tratamento que envolve a mudança na alimentação, praticar atividade física, conseguir manter uma rotina, com horário para dormir, porque o sono é muito importante. A insônia interfere no nível de cortisol e de estresse, o que acaba refletindo na diminuição da libido. Quando temos uma rotina equilibrada, conseguimos ser mais leves, melhorar nossa relação com o próprio corpo e com a nossa autoestima. Nesses casos, é preciso ter cuidado com a medicação, porque algumas pioram a libido, então é preciso a avaliação de um bom profissional. Muitas vezes é recomendada a consulta com urologistas, ginecologistas e endocrinologistas para que se excluam situações clínicas. A psicoterapia também é muito importante. Eu, particularmente, utilizo muito disso, de boas avaliações, exames, e aí sim, a gente vai para o tratamento farmacológico. Mas, principalmente a mudança de hábito, dentro das possibilidades que nós temos em função da pandemia, é a dica mais valiosa, para termos melhores relacionamentos, nos sentirmos mais saudáveis e voltar a ter uma relação mais profunda com a libido, o tesão e o prazer na vida.

A médica psiquiatra Dra. Gabriela Dal Molin