Medicina na veia

Em julho e agosto de 2015, quando era apenas repórter do Mania de Saúde, recebi do nosso fundador e editor, Sylvio Muniz (in memoriam), a incumbência de ir à Itaperuna e relatar, ao longo daqueles meses, a chegada do curso de Medicina da então Faculdade Redentor, que acabara de ser autorizado pelo Ministério da Educação após todo um histórico de sucesso alcançado pela instituição sediada no Noroeste Fluminense.
De início, a pauta não prometia maiores surpresas, uma vez que já estávamos habituados a ouvir acadêmicos e professores de medicina em datas oportunas, exaltando sempre o valor humanista da profissão. Mas logo de cara notamos que o trabalho seria diferente, pois diferente era a proposta do curso: ele acabara de ser aprovado e já seguia à risca (ou mesmo superava) as novas diretrizes de cursos de medicina que o MEC passara a exigir em 2014, a fim de inserir o aluno desde cedo na parte prática, dando ênfase à atenção básica. A proposta era ampliar (e aprimorar) o atendimento à população, concentrando todos os esforços na atenção primária, que garante maior resolutividade ao sistema de saúde. Ou seja: não era apenas a chegada de novos alunos em busca de um sonho, mas um novo curso adequando esse sonho a um olhar mais humanista da medicina.
Nesse contexto, o sucesso do primeiro vestibular, que atraiu dezenas de jovens dos mais diversos cantos do país, ajudou-nos a conceber uma pauta mais abrangente, que Sylvio abraçou de imediato: por que não acompanhar toda a trajetória do curso, por meio de sua primeira turma, para ver como o novo ensino médico (um dos assuntos mais caros ao Mania de Saúde) proposto pelo MEC e pela instituição seria capaz de incutir, naqueles jovens, um novo jeito de encarar a medicina?
Pois foi isso que nos dedicamos a fazer, ao longo desses quase 6 anos, entrevistando alunos, professores, coordenadores, diretores, reitores, entre vários outros profissionais ligados diretamente ou indiretamente àquela formação – sem ignorar, é claro, todas as novidades dos outros cursos da área da saúde.
Desde então, vimos alunos despontando em projetos inovadores feitos em parceria com organizações internacionais de alunos de medicina; acadêmicos proativos levando adiante trabalhos científicos para congressos de renome na área; professores se destacando em simpósios voltados para a formação em medicina; alunos e docentes fazendo visitas às comunidades mais carentes de Itaperuna e transformando a realidade de inúmeras pessoas que, muitas vezes, não possuíam acesso ou informações das mais básicas para alcançarem uma melhor qualidade de vida, sem falar nas mais diversas ações sociais realizadas no município, que geraram inúmeros relatos feitos pelos alunos ao longo dos anos, eliminando de vez a visão meramente mercadológica que alguns tentam impor à formação nessa área. Acompanhar todo esse processo, evidentemente, nos deu um outro olhar sobre a própria educação médica, pois não é todo dia que um trabalho de reportagem se destina a uma empreitada desta natureza, o que se refletiu diretamente na melhoria da nossa pauta, que passou a trazer ainda mais novidades na área da saúde para nossos leitores, sempre em primeira mão.
Agora, que a primeira turma do curso de Medicina chega à sua tão esperada colação de grau (de forma adiantada, em virtude da pandemia, como autorizou recentemente o MEC), não podíamos nos furtar a rememorar todo o histórico do curso por meio do depoimento de alguns alunos e de sua coordenadora, Dra. Renata Gontijo, ao mesmo tempo em que fizemos todo um retrospecto do próprio Mania de Saúde ao longo desse tempo, que se tornou o principal porta voz desse corpo de profissionais que, agora, chegam ao mercado dando concretude àqueles sonhos que estamparam as nossas páginas alguns anos atrás e que hoje servem de exemplo aos próximos alunos: oferecer ainda mais dignidade – e esperança – para toda a nossa população.