A atuação da Odontologia na Oncologia

A dentista especialista em pacientes com necessidades especiais, Dra. Ada Lavor
A inserção do Cirurgião Dentista na equipe multiprofissional no atendimento às pessoas que necessitem de tratamento oncológico representa um ganho fundamental para melhorar a sua qualidade de vida. Trata-se de um momento delicado na vida de qualquer pessoa, por isso é fundamental se cercar de todos os cuidados necessários e com o melhor atendimento possível. Para abordar o tema, nossa reportagem conversou com a dentista especialista em pacientes com necessidades especiais, Dra. Ada Lavor. “A cavidade bucal pode ser a porta de entrada de agentes agressores, e uma condição bucal inadequada com focos de infecção ativos pode expor o paciente a alto risco de bacteremia e sepse. Além disso, a cavidade oral é frequentemente afetada pela terapia oncológica e são diversas as manifestações de toxicidade na boca, que incluem xerostomia, hipossalivação, mucosite, alterações no paladar, necroses ósseas, entre outras”. Dra. Ada, com ampla experiência em pacientes com necessidades especiais, atua há 17 anos com Odontologia Humanizada e traz uma proposta de tratamento aos pacientes em terapia oncológica, oferecendo todo o suporte pré, trans e pós terapia oncológica, onde, junto com a equipe multiprofissional, faz um protocolo inicial de prevenção e orientações relacionadas aos cuidados orais, visando minimizar os efeitos em mucosa oral, seguindo o plano de tratamento, avaliando e tratando as necessidades odontológicas antes de iniciar a terapia, passo fundamental para o decorrer de um tratamento mais tranquilo. Utiliza sempre em seu modelo de assistências os conceitos e filosofia dos cuidados paliativos, desenvolvendo uma Odontologia com foco e ênfase no paciente e seus familiares, com ciência, tecnologia e humanização. Mucosite Oral – “É uma inflamação aguda dolorosa que acomete pacientes submetidos ao tratamento antineoplásico, incluindo altas doses de quimioterapia e radioterapia. Trata-se de uma consequência comum e debilitante do paciente oncológico submetido a altas doses de quimioterapia ou radioterapia. Pode levar à diminuição das funções orais básicas, como deglutição, fala e mastigação, o que prejudica a qualidade de vida destas pessoas. Quando severa, é uma porta de entrada para microrganismos oportunistas, aumentando o risco de morbidade e mortalidade destes pacientes”, conta Dra. Ada, que prossegue falando sobre o tratamento com laserterapia de baixa intensidade. “Nas últimas décadas, o laser de baixa potência tem sido utilizado como uma terapia eficaz na prevenção e tratamento da mucosite, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida destes pacientes, assim como a não interrupção do tratamento antineoplásico. Atua como analgésico, diminuindo a severidade e duração da dor, anti-inflamatório e biomodulador, e aumentando a qualidade de vida do paciente”.