Você sabe o que é SUA?

Dra. Renata Gontijo, especialista em Vídeo Colposcopia, Doutora em Ginecologia pela Unicamp e Coordenadora do curso de Medicina da UniRedentor, em Itaperuna

Nos últimos tempos, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo tem encabeçado uma campanha de extrema importância para a saúde da mulher: a conscientização sobre o Sangramento Uterino Anormal (SUA). Além de prestar orientações a diversos profissionais de saúde, a entidade alerta para a necessidade de a própria população feminina saber mais sobre o problema, em vez de encará-lo como algo normal e corriqueiro.
Para cumprir essa tarefa, o Mania de Saúde ouviu a médica ginecologista Dra. Renata Gontijo, especialista em Vídeo Colposcopia, Doutora em Ginecologia pela Unicamp e Coordenadora do curso de Medicina da UniRedentor, em Itaperuna. Ela explica a influência do problema na saúde da mulher. “O Sangramento Uterino Anormal (SUA) consiste em um fluxo menstrual intenso, com longa duração e/ou grande quantidade de sangue perdida em um mês, afetando 1 em cada 3 mulheres. Tem grande importância por ser frequente e por afetar negativamente aspectos físicos, emocionais, sexuais e profissionais, piorando a qualidade de vida das mulheres. As causas mais comuns de SUA são classificadas desde 2011, por um esquema conhecido como PALM-COEIN, onde cada uma das letras denomina uma das causas do sangramento. As etiologias do PALM-COEIN são: Pólipo uterino (P), Adenomiose (A), Leiomiomia (L), lesões precursoras e Malignas do corpo uterino (M), Coagulopatias (C), distúrbios da Ovulação (O), disfunção Endometrial (E), Iatrogênicas (I) e as Não classificadas nos itens anteriores (N)”, afirma a médica.
Dra. Renata destaca como lidar com o problema. “O diagnóstico é feito principalmente pela história clínica da mulher. Podem ser necessários exames de hemograma, função da tireoide e ultrassonografia pélvica. A gestação deve ser excluída nesses casos. O tratamento do SUA tem como objetivo controlar o sangramento, reduzir o risco de novos episódios e melhorar a qualidade de vida da mulher. O tratamento por meio de medicamentos é considerado a primeira linha a ser seguida, sempre que possível. Geralmente, são utilizados comprimidos de anticoncepcional oral em altas doses, mas também pode ser tratado com uso de DIU hormonal, medicações para a coagulação sanguínea e reposição de ferro via oral. Em casos mais graves, com sangramento de grande intensidade, pode ser necessário a internação hospitalar, para realizar uma curetagem uterina. A histerectomia (retirada do útero) é um tratamento para os casos em que todas as alternativas terapêuticas apresentaram falhas e para quando a paciente não desejar mais ter filhos”, frisou.
Segundo a médica, na investigação do sangramento excessivo, alguns especialistas criaram perguntas que dão sinais indicativos de SUA:
• Você precisa trocar seu absorvente durante a noite ou acordar durante a noite para trocar a proteção?
• Durante os dias mais intensos, já teve sangramento que extravasou um tampão ou absorvente em menos de 2 horas?
• Você expele grandes coágulos sanguíneos durante o período menstrual?
• Você já sentiu sensação de desmaio ou falta de ar durante o período menstrual?
• Você tem de organizar suas atividades sociais em torno do seu sangramento menstrual?
“Se você respondeu SIM para a maioria, é possível que você tenha um sangramento anormal. Procure seu ginecologista! Não é normal se sentir mal”.
Para mais detalhes, veja o site https://www.suanaoenormal.com.br/ e se cuide!