Criança com cárie

As consequências das cáries na primeira infância

Os cuidados com a higiene bucal e a dieta devem ser incorporados desde cedo pelos pais
A cirurgiã dentista Dra. Adriana Padilha Tavares, especialista em Odontopediatria

Quem tem um filho em casa sabe a dificuldade que é fazer a criança se alimentar de maneira saudável, evitando doces e guloseimas em excesso, além de escovar os dentes de forma correta. O resultado, é claro, não poderia ser outro: quando menos se espera, começam a surgir as famosas cáries, que, se não tratadas, podem causar diversos problemas à dentição da criança, levando a repercussões futuras.

Um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018 demonstrou, por exemplo, que a cárie é a segunda doença mais comum em todo o mundo, ficando atrás apenas do resfriado. Segundo a OMS, atualmente, entre 60 a 90% das crianças em idade escolar sofrem com cárie dental. Diante desse quantitativo, é de extrema importância que os pais deem uma atenção maior ao problema, sabendo identificá-lo de forma adequada.

É o que conta, ao Mania de Saúde, a cirurgiã dentista Dra. Adriana Padilha Tavares, especialista em Odontope diatria. “A cárie é uma doença multifatorial, infecciosa e transmissível. Sua presença está associada à ingestão de carboidratos, principalmente a sacarose (açúcar). Ela ocorre devido à presença de bactérias na superfície dos dentes (bio filme dental), onde os ácidos produzidos diminuem o pH da saliva, causando a desmineralização do esmalte dental. Não sendo tratada, pode ocasionar a destruição da estrutura dental”, alerta Dra. Adriana. “O primeiro sinal clínico da cárie na primeira infância (0 a 6 anos) é a presença de man chas brancas e opacas no esmalte do dente, evoluindo para cavidades que, se não tratadas, podem levar: à perda da coroa do dente, processos infecciosos, necrose e necessidade de tratamento de canal (tratamento endodôntico). Consequen temente, a criança pode apresentar um quadro de infecção, dor, dificuldade de mastigação e perda prematura dos dentes, além de comprometimento geral de saúde, como problemas cardíacos e sistêmicos”, destacou.

A perda precoce dos dentes decíduos (dentes de leite), de acordo com a Odontopediatra, pode levar a sérias conse quências na futura dentição permanente, tais como: falha no crescimento e desenvolvimento da maxila e mandíbula, afetando a correta oclusão e prejudicando a função mastiga tória, a deglutição e a fonação. “Pode ainda acarretar atraso ou aceleração na erupção dos dentes permanentes, perda de espaço para o permanente sucessor, dificuldade na alimenta ção, favorecimento da instalação de problemas ortodônticos, além de traumas psicológicos”, frisou Dra. Adriana.

Daí a necessidade, segundo ela, do devido acompanha mento profissional. “É de suma importância que o Odonto pediatra reconheça, trate e previna os fatores de risco para o desenvolvimento das doenças bucais. Evitando, assim, que os danos causados caso a doença esteja presente acarrete problemas e impactos futuros. Por isso ressalto a necessidade da primeira consulta logo após o nascimento, para que os cuidados com a higiene bucal e a dieta sejam incorporados desde cedo pelos pais, possibilitando um crescimento sau dável e livre de cáries”.

Se ligue nesses cuidados!

1. Atualmente, as orientações começam com a gestante, com o seu pré-natal odontológico, depois com o bebê, a criança, até chegar ao adolescente, com abordagens próprias para cada fase da sua vida.

2. É papel do Odontopediatra também incentivar a amamentação natural. O leite materno deve ser exclusivo até os 6 meses de idade.

3. A criança não deve dormir mamando líquidos com carboidratos fermentáveis. Ela deve ter seus dentes limpos antes de dormir.

4. A higienização deve ser iniciada logo após o irrompimento do primeiro dentinho, com a indicação da escova e creme dental adequados, assim como a quantidade ideal usada na escovação. Além do uso do fio-dental.

5. A alimentação da criança deve ser saudável, consumir alimentos ricos em fibras e grãos, frutas, verduras e legumes. Os pais devem evitar alimentos açucarados e industrializados.

6. Consulte o Odontopediatra a cada seis meses. Crianças com alto risco de cárie às vezes devem ter uma frequência de retorno até menor, sendo avaliada de acordo com cada caso. Desta forma, o profissional poderá identificar os problemas bucais e tratá-los o quanto antes. A dentição de leite é importante para o desenvolvimento da fonação, deglutição, mastigação, além da estética. É possível crescer livre de cáries e outros problemas bucais.