Uma profissão engrandecedora

A acadêmica Talya Silveira Andrade, do 11º período de Medicina da UniRedentor

Quem também sentiu na pele todas as mudanças provocadas pelo novo coronavírus, desde o início do ano, foram os acadêmicos de Medicina, que se viram diante de uma realidade totalmente nova e desafiadora. Ainda mais aqueles que já se encontravam no período de internato, onde a prática médica se torna mais intensa, gerando grandes expectativas para cada estudante. Foi o caso da acadêmica Talya Silveira Andrade, do 11º período de Medicina da UniRedentor, que comentou, ao Mania de Saúde, a percepção dela e dos colegas sobre a chegada da pandemia.
“Foi um pouco frustrante no início, porque a gente teve uma restrição no número de pacientes. Não podia mais ficar aquela sala repleta de pessoas, como ficava antes. Além disso, tivemos que nos adequar a todos os aparatos de segurança, cumprindo todas as regras de distanciamento social, uma coisa muito diferente e que foi difícil até conseguirmos nos adaptar por completo. A falta do fluxo de pacientes, de fato, prejudicou um pouco no início, embora esteja melhorando agora. Mas o importante, nesse contexto, é que aproveitamos o momento para aprofundarmos ainda mais os estudos. Às vezes não tínhamos tantos pacientes, mas conseguimos discutir casos, estudando mais, tendo um tempo mais livre para isso e, principalmente, para a residência médica, que está se aproximando. Faremos a prova no ano que vem e há todo esse preparo desde agora. Ou seja: nós não ficamos inertes. Os professores sempre tentavam levar casos para a gente, por mais que não existisse todo aquele fluxo de antes”.
Além da rotina do dia a dia, o momento serviu também para reflexão, já que mudou o olhar dos acadêmicos para a carreira escolhida. “A pandemia alterou bastante a nossa percepção sobre o futuro e sobre todos nós. Acho que todo mundo vai sair um pouco diferente dessa pandemia, valorizando muito mais a vida, essas pequenas coisas que antes a gente às vezes não dava tanta importância. Nós também amadurecemos muito durante esse processo, vendo a importância dos estudos, dos profissionais de saúde, assim como todas as outras profissões”, lembra Talya, destacando suas expectativas profissionais. “Espero que na minha profissão eu consiga exercer o meu cargo com muita dedicação, amor e empatia, colocando sempre o paciente em primeiro lugar, visando o seu bem-estar, tanto físico, quanto mental, não só tratando a doença em si. Basta observar a própria pandemia. Muitos pacientes apareceram por conta da ansiedade gerada pelo novo coronavírus. É preciso, portanto, ter cautela com todos eles, conversar com cada paciente e não dar importância apenas a uma doença física ou algo do tipo, mas valorizar o indivíduo como um todo, em seu contexto biopsicossocial”.
Agora, com a flexibilização do isolamento social adotada gradativamente pelo poder público, o ritmo de trabalho dos acadêmicos tende a se acentuar, o que, para Talya, é motivo de satisfação, uma vez que o internato tem sido bastante positivo. “O internato tem me surpreendido bastante, porque a UniRedentor lutou muito durante a pandemia para a gente conseguir voltar mais cedo. Havia uma ansiedade muito grande, pois queríamos voltar logo e a instituição a todo o tempo lutou para isso, deu todos os EPI’s necessários para que a gente conseguisse retornar com segurança”, conta a acadêmica. “Estou gostando muito do internato, está sendo muito produtivo, o volume de pacientes já era grande antes da pandemia, depois diminuiu um pouco, mas continua muito bom e a gente sempre está fazendo alguma coisa. Nos plantões estão ocorrendo discussões de casos, mesmo pelo computador, por aplicativos, o que é muito engrandecedor para a gente. A dica que eu daria para quem sonha com a profissão é não desistir dos seus sonhos, mas continuar lutando, buscando, estudando, porque uma hora vai dar certo. A medicina é uma profissão linda, que requer muito de você, mas o retorno é maravilhoso: quando você vê o paciente te olhando e te agradecendo, não tem nada que pague isso. É muito gratificante para todos nós”.