Um novo olhar sobre o papel do médico

Dra. Renata Gontijo, especialista em Vídeo Colposcopia, Doutora em Ginecologia pela Unicamp e Coordenadora do curso de Medicina da UniRedentor, em Itaperuna

O Dia do Médico, em 2020, terá um sabor diferente para os inúmeros profissionais da área e, também, para a população em geral. Se de um lado o país se enternece pelo grande número de mortos, ocasionado pela pandemia do novo coronavírus, por outro, a população aplaude cada vez mais o trabalho destes profissionais, que vivenciaram – e ainda vivenciam – grandes dificuldades para combater uma doença nova, sobre a qual existia – e ainda existe – muitas controvérsias.
Portanto, exaltar o papel dos médicos, nesta data tão especial, acaba ganhando uma nova perspectiva, sobretudo para os estudantes de Medicina, que precisaram se adaptar não apenas a outros modelos de ensino, mas também a novos e diferentes conhecimentos, dentro de um cenário que eles jamais imaginaram viver. É um pouco sobre isso que a médica ginecologista Dra. Renata Gontijo, especialista em Vídeo Colposcopia, Doutora em Ginecologia pela Unicamp e Coordenadora do curso de Medicina da UniRedentor, em Itaperuna, falou a nossa reportagem, com o intuito de valorizar – e parabenizar – a toda a classe pela sua data. Confira.
Mania de Saúde – O Dia do Médico, este ano, está ganhando um peso diferente, por todas as transformações ocasionadas pela pandemia. Como você tem visto a atuação dos profissionais nesse contexto?
Dra. Renata Gontijo – A atuação dos médicos na pandemia foi primordial. Eles deixaram seus familiares, seus filhos, maridos e esposas para encarar uma doença desconhecida. Do início do ano até agora, milhares de pessoas morreram no Brasil, inclusive aquelas que estavam na linha de frente. O médico foi o profissional que mais se expôs ao vírus. Mesmo com medo, eles estavam lá para cuidar de pessoas desconhecidas, cumprindo sua missão e o juramento de Hipócrates. Deixou de estar com sua família, para cuidar de outras famílias.
Mania de Saúde – E os alunos, como receberam essa realidade e o que mudou no aprendizado?
Dra. Renata Gontijo – Os estudantes de Medicina tiveram a oportunidade inédita de vivenciar uma pandemia, ver como é importante a profissão escolhida e cuidar das pessoas mais que a si mesmo. Os alunos de Medicina da UniRedentor participaram efetivamente no combate à Covid-19, atuando desde o início da pandemia com o Disk Covid, uma iniciativa da UniRedentor para orientar a população. Muito antes de outras instituições de ensino, nossos alunos também retomaram os atendimentos à população nas Unidades Básicas de Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Itaperuna. Os atendimentos, iniciados no mês de abril, foram primordiais para o tratamento e prevenção das outras doenças não transmissíveis, como hipertensão, diabetes, asma, câncer, entre outras, que acometem a população independente da pandemia. Esses atendimentos continuam acontecendo nas unidades de saúde e também em nossa Clínica Escola CACI, gratuitamente, com especialistas de diversas áreas.
Mania de Saúde – Como você acha que ficará a profissão daqui para frente? Qual o legado de todas essas mudanças?
Dra. Renata Gontijo – Depois dessa pandemia, os médicos serão muito mais valorizados. Uma boa formação médica nunca se mostrou tão fundamental. Anos de estudo e dedicação são necessários para solucionar problemas como esse que estamos vivendo. No entanto, a pandemia vai promover mudanças no ensino médico, como aproximar mais a ciência da formação médica. Vimos, por exemplo, que muitas drogas sem eficácia comprovada foram prescritas para tratar a Covid-19, o que gerou uma grande polêmica. Acredito que o ensino médico valorizará mais a ciência para a tomada de decisão. É importante que o futuro médico aprenda o valor do conhecimento científico na hora de estabelecer tratamentos. Além disso, a adoção de modelos híbridos de ensino, com uma parte do curso presencial e outra remota, deverá ser uma realidade daqui para frente.
Mania de Saúde – Alguma mensagem final?
Dra. Renata Gontijo – Neste ano de 2020, todas as homenagens são merecidas ao profissional médico. Aqueles que estiveram na linha de frente e cumpriram sua missão de curar às vezes, aliviar com frequência e consolar sempre.