Agosto Dourado: a importância do aleitamento materno

Estamos no mês em que se aborda a importância do aleitamento materno. Através da campanha Agosto Dourado, busca-se conscientizar sobre a necessidade da amamentação exclusiva até os seis meses de idade. A Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) é considerada como veículo para promoção da amamentação e ocorre em 120 países de 1º a 7 de agosto. A Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (WABA) define, a cada ano, o tema a ser trabalhado na semana, lançando materiais que são traduzidos em 14 idiomas. Entretanto, a data e o tema podem ser adaptados em cada país, para que sejam obtidos melhores resultados no evento.
Nossa reportagem conversou com a médica ginecologista e obstetra Dra. Rachel Tavares, especializada em ginecologia endócrina, infertilidade, reprodução humana, gestação de alto risco, ultrassonografia e ultrassonografia 3D/4D, para sanar as principais dúvidas sobre o aleitamento materno.

Mania de Saúde – Em que momento o bebê deve começar a mamar e até que idade deve fazê-lo?

A médica ginecologista e obstetra Dra. Rachel Tavares

Dra. Rachel Tavares – O bebê deve mamar assim que nasce, nas primeiras horas de vida. Ele estando bem, deve ser colocado junto ao seio da mãe logo, independente se o parto foi normal ou cesárea. O aleitamento materno deve ser a alimentação exclusiva até os seis meses, mas o bebê pode ser amamentado até os dois anos de idade ou até quando a mãe e o neném quiserem.
Mania de Saúde – É normal a mulher sentir dor no seio durante a mamada?
Dra. Rachel Tavares – O aleitamento materno é um processo difícil. É preciso dedicação, concentração, paciência e entrega de 100%. Logo no início, quando o bebê está mamando, o seio dói, incomoda. Isso vai melhorando com o passar dos dias, mas a primeira semana ainda é difícil porque o mamilo é muito sensível. É importante saber que isso é normal e, na medida em que o bebê vai aprendendo e interagindo com a mãe, isso melhora e a amamentação se torna mais natural e menos dolorosa. Deve-se ficar atenta se, depois da primeira semana, começar a doer muito ou se tiver sangramento, ou ainda, o bico do seio ficar rachado, porque pode ser que a pega do bebê esteja errada. Então é preciso corrigir a pega, e, quem ajuda nisso é o pediatra junto com o obstetra. Se o peito estiver rachado ou machucado é possível tratar. Uma das formas de tratar é com o próprio leite materno, que tem propriedades cicatrizantes e, mesmo com o mamilo machucado, não é contraindicado amamentar. A amamentação só é suspensa em alguns casos de infecção da mama, mas se tiver inflamação, leite empedrado ou fissura, o aleitamento materno deve continuar. Se for muito incômodo, a mãe pode tirar o leite e oferecer de outra forma para o bebê.
Mania de Saúde – A alimentação da mãe interfere no leite? O que fazer para evitar o empedramento?
Dra. Rachel Tavares – Sim. Se a mãe bebe mais água, toma vitaminas, tem uma alimentação saudável, o leite vai ter mais qualidade e nutrientes para o bebê. É importante se hidratar bastante, beber muito líquido enquanto amamenta e manter uma rotina com uma dieta balanceada. E o segredo para evitar o empedramento é amamentar, sempre que o bebê pede. Quanto mais a mãe amamenta, mais leite ela produz e menos fica acumulado, além de diminuir a dor na mama. Caso o leite fique acumulado e comece a empedrar, pode-se fazer a ordenha manual das mamas em um banho quente, onde a mãe fica mais relaxada, para extrair o leite.
Mania de Saúde – Muitas mães têm dúvidas com relação a como proceder com a amamentação com a volta ao trabalho?
Dra. Rachel Tavares – Essa é a parte mais difícil, mas não é impossível. O que a gente orienta é tirar o leite e armazenar e existem várias formas de fazê-lo. Pode ser na geladeira, que dura até 12 horas, no freezer dura 15 dias ou em temperatura ambiente, que dura entre 3 a 4 horas. E à medida que o bebê for pedindo, esquentar e oferecer em copinho ou colherzinha. Quanto mais tira, mas leite tem, então ela pode fazer essa extração manualmente, através de bomba para armazenar. Uma coisa que acho importante dizer é que a gente romantiza muito a amamentação. É claro que ela é fundamental, passa muitos nutrientes e anticorpos para o bebê, mas a mulher não deve se sentir culpada se, por algum motivo, ela não puder amamentar. Existem mulheres que têm alguma alteração no mamilo, ou não têm produção de leite adequada, ou simplesmente não querem amamentar, etc. Existem os leites artificiais para essas situações que nutrem o bebê. Os benefícios do aleitamento são inúmeros, mas se a mulher não pode amamentar, não deve se sentir culpada, frustrada, menos mãe e é importante que as pessoas não a olhem de forma diferente. Ela pode passar o amor e fortalecer o seu vínculo de outras formas, com carinho, o olhar, o colo, cuidando, brincando. A mulher não é menos mãe por não poder amamentar.