A trompa entupiu, e agora?

A ginecologista Dra. Renata Gontijo

A atenção à saúde da mulher vem crescendo cada vez mais dentro da medicina, principalmente quando o assunto é fertilidade, tendo em vista o sonho da maioria delas de ser mãe. Um caso que ilustra a relevância desse cuidado é o da obstrução das trompas, um problema que acomete diversas pacientes a cada ano e que pode diminuir as suas chances de gravidez.
Para esclarecer um pouco sobre esse assunto, o Mania de Saúde ouviu a médica ginecologista Dra. Renata Gontijo, especialista em Vídeo Colposcopia, Doutora em Ginecologia pela Unicamp e Coordenadora do curso de Medicina da UniRedentor, em Itaperuna. Ela explica como se dá esse problema. “As tubas uterinas são os órgãos do aparelho reprodutor feminino responsáveis pela captação dos óvulos e transporte dos espermatozoides, onde ocorre a fecundação. Quando ocorre a obstrução das tubas uterinas ou quando elas têm comprometimento interno ou ficam fixas (aderidas) a algum órgão, pode haver diminuição na chance de gravidez, sendo assim uma causa importante de infertilidade feminina”, afirma a médica. “O fator tubário corresponde a 35% das causas de infertilidade e, se somarmos com a endometriose, esse percentual chega a 50%”, acrescentou.
Segundo Dra. Renata, geralmente, a obstrução das trompas não provoca sintomas e a maioria das mulheres acaba descobrindo que tem o problema quando não consegue engravidar. “Diversos fatores podem causar obstruções nas trompas, entre eles: a endometriose, a salpingite, que é a inflamação nas trompas; infecções no útero e nas trompas, normalmente causadas por doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia; cirurgias ginecológicas ou abdominais, que podem deixar cicatrizes que provocam a obstrução das trompas. O problema é diagnosticado através de um exame chamado histerossalpingografia ou de videolaparoscopia, procedimento minimamente invasivo, que possibilita o tratamento em alguns casos. Dependendo da localização, da gravidade e da causa, pode ser realizada a microcirurgia para tentar corrigir a obstrução tubária, removendo a parte danificada que bloqueia a trompa, restabelecendo sua função. Esse procedimento deve ser realizado por um cirurgião experiente e é indicado para casos específicos e para mulheres jovens”.
É importante ressaltar que a resolução do problema da obstrução nem sempre resolve o problema de fertilidade, como acrescenta a especialista. “Existem casos em que, após este tipo de procedimento, a paciente não consegue engravidar e acaba sendo encaminhada para a fertilização in vitro (FIV), que é a melhor alternativa. Com a FIV, a obstrução nas trompas torna-se irrelevante, afinal os óvulos são retirados do ovário e fertilizados (in vitro), ou seja, em laboratório. Assim que ocorre a fertilização, os embriões são transferidos diretamente para o útero, onde irá ocorrer a gestação de forma natural”, finalizou.