Fernando da Silveira
Fernando da Silveira é Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Advogado, professor da Faculdade de Direito de Campos. É membro da Academia Campista de Letras e colunista/colaborador do Jornal Mania de Saúde.

A Bondade inteligente x Burrice espreitadas pela maldade

“O populismo vive do reclamo e da insatisfação, por isso o Estado não pode funcionar”. – Deborah Duprat, ao citar uma frase dos defensores do novo populismo.

Pode parecer anedota, mas está se desenhando um novo tipo de populismo, que se volta contra as institui ções democráticas, na ânsia de organizar ditaduras assassinas. A nossa sorte é que ele ainda não foi implantado, não passando, assim, do desejo de crápulas com a fatiota de amigos do povo. Mas, se os governantes não acabarem com as doenças mortais do desemprego, da miséria e da fome, o desa tino desse novo populismo, que vem sendo espantosamente festejado tanto na América quanto na Europa, pode triunfar.
Parece-me pertinente esclarecer o que significa o novo populismo, dizendo que é o ponto de vista que se volta para uma construção política de povo, limitando-o a apenas duas espécies, os bons e os maus, como que fazendo renascer o manique ísmo. Podendo-se dizer, também, que o novo populismo abomina as instituições, mesmo as de caráter social, educacional e filantrópico, pois, para os seus defensores, basta um líder iluminado para realizar as suas tarefas de amigo do povo. É que na cabeça dos mentores do novo populismo, as instituições são locais de privilégio, de corrupção, de balbúrdia e de falta de amor. Chegando ao cúmulo de abominar o Estado, negando, assim, a importância vital das leis fundamentais que regem a sociedade política civilizada. E de odiar até os ex-integrantes do Estado, sempre vistos sem qualquer distinção. Disso resultando a possibilidade de uma simples controvérsia entre os bons e os maus de sua cartilha, tornar-se conflito mortal. Algo tão feroz, que se pode presumir, que os tidos como bons poderão matar sem pena os tidos como maus.
Tal loucura chega ao clímax quando proclama que o Estado não resolve as demandas, mas o líder, o chefão dos bons, pois só ele reflete o amor decorrente de sua visão mais ampla e fortemente atenta para os grandes problemas humanos. Sendo esta a razão dele ter o poder absoluto e a não me recer qualquer contestação. Cabendo-lhe, assim, tirar do conflito até a inteligência, por ser ela sempre interesseira, colocando em seu lugar o afeto e a intensificação das emoções. Esse abstruso ponto de vista, em bora não seja com todas as letras expressa pela esquerda do quanto pior melhor, a enche de alegria, o mesmo ocorrendo com a direita do ódio, ambas desejosas de im plantarem a ditadura.
Mas há algo mais grave nisso tudo. Como se nota, a bondade inteligente está espantosamente apática. Sendo bom frisar que a bondade inteligente não deve, como às vezes ocorre, se voltar apenas para ela mesma. Não deve também se entregar de corpo e alma ao mercado, que muitas vezes ganha proporções desumanas. Como não deve impedir que o Estado se fortaleça para cumprir a sua missão de fiscalizar o entredevorar das grandes empresas a acarretar o desemprego, a miséria, a fome e o justificativo ódio dos que sofrem com a crueldade social. E, sobretudo, não devendo esquecer que a maldade está à espreita. Dentro desse quadro de horror, parece-me oportuno esperar em Deus, que o Brasil e o próprio mundo ocidental não venha a ser conduzido por esquerdistas tão bonzinhos, que procuram imitar Stalin. Ou por direi tistas tão doces como o terno, o amorável Adolpho Hitler.
(*) Fernando da Silveira é Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Advogado, professor da Faculdade de Direito de Campos. É membro da Academia Campista de Letras e colunista/ colaborador do Jornal Mania de Saúde. matriz@ maniadesaude.com.br