Não é novidade para ninguém a predominância da mulher no cenário populacional brasileiro. Basta olhar para o lado e confirmar os números do IBGE. Eles mostram que existem hoje 4,5 milhões de mulheres a mais do que homens no país. Na década de 1980, essa diferença não chegava a 1 milhão. E, além de ser maioria, o público feminino também está vivendo mais. Segundo o próprio IBGE, as mulheres vivem, em média, sete anos a mais do que os homens, número que também pode aumentar nos próximos anos.
Um dos motivos é o comportamento das mulheres em relação à própria saúde. Elas costumam agir de forma mais preventiva do que os homens, além de procurar o médico com mais facilidade. Isso não significa, porém, que todas elas adotem a mesma postura. Uma parte do público feminino às vezes negligencia cuidados essenciais à saúde, como nos casos de sangramento uterino anormal, cujo diagnóstico não pode ser postergado. O distúrbio necessita de uma investigação precoce e cuidadosa para evitar maiores danos à mulher.
O médico ginecologista Dr. Abdalla Dib Chacur, especialista em ginecologia e histeroscopia e responsável pelo Centro de Ginecologia Endoscópica - Gineco, em Campos, explicou a nossa reportagem como as mulheres devem lidar com o problema. “O sangramento uterino anormal é aquele que foge do padrão de normalidade, seja durante a fase da vida fértil em que elas apresentam ciclos menstruais, chamado de menacme, seja na pós-menopausa, quando as mulheres não menstruam mais e qualquer sangramento deve ser considerado anormal. Diante de um quadro de sangramento uterino anormal, é necessário fazer uma investigação. O primeiro passo é a mulher buscar um ginecologista experiente no assunto, que possa averiguar o problema, fazer uma anamnese criteriosa e identificar bem os sintomas, avaliando como eles ocorrem, quando surgiram e se estão associados a outras manifestações subjacentes para, assim, indicar os exames adequados”, disse Dr. Abdalla.
Ele conta como é feito o diagnóstico. “Primeiramente, é realizado o exame ginecológico, porque ali já é possível identificar algumas causas do sangramento uterino anormal. No entanto, mesmo que este exame ginecológico não aponte nenhuma irregularidade, pode estar ocorrendo algum problema que foge ao exame clínico, isto é, ao toque e ao exame especular que compõem essa avaliação ginecológica inicial. É importante, então, pedir um exame complementar. O mais indicado é a ultrassonografia transvaginal, que investiga a estrutura do útero, verificando o volume, além da presença de alterações miometriais e intracavitárias, que podem ser a causa do sangramento uterino anormal. Em muitas situações, porém, o ultrassom não identifica uma alteração intracavitária de forma específica, podendo ser um mioma, um pólipo ou um crescimento anormal do endométrio, a mucosa que reveste o interior do útero. Nesses casos, a investigação precisa ser mais detalhada. É nesse momento que lançamos mão do exame de histeroscopia. Ela permite a visualização de toda a cavidade uterina, de forma a identificar projeções para dentro dessa cavidade, como aquelas causadas por miomas submucosos, por pólipos ou então por hiperplasias, que é quando o endométrio está crescendo de maneira anormal. Pela histeroscopia é que se identifica também a necessidade de fazer uma biópsia, que pode ser realizada no momento do exame”, destacou o médico.
A histeroscopia, segundo Dr. Abdalla, é feita de forma ambulatorial, desde que sejam utilizados o equipamento e a técnica adequada. “A histeroscopia é um método avançado, que dispensa internação e anestesia, contanto que se observe esses critérios da técnica e do equipamento. Isso possibilitará um bom diagnóstico. E caso se identifique alguma alteração passível de ressecção histeroscópica, ou seja, remoção por meio de endoscopia, sem ‘abrir a barriga da paciente’, aí é realizada uma histeroscopia cirúrgica com ressector. Esta sim é feita mediante internação e anestesia e permite ressecar um mioma submucoso, um pólipo ou retirar boa parte do endométrio, em um procedimento chamado de ablação de endométrio. São técnicas muito importantes, mas que exigem todo o conhecimento adequado para oferecer um resultado efetivo à paciente”.

Texto produzido em: 22/08/2018