O bom desenvolvimento de uma criança depende da dieta adotada por seus dois genitores nos anos anteriores à gestação. Casos de obesidade ou de má nutrição de um dos pais elevam a probabilidade de danos genéticos, metabólicos e físicos durante a gestação. E fatores relacionados à alimentação podem levar a criança a correr maiores riscos, ao longo da vida, de desenvolver doenças cardiovasculares, alterações metabólicas, baixa imunidade e doenças neurológicas. Por isso é cada vez mais importante procurar uma alimentação saudável, como alerta a nutricionista Ana Luiza Ferraz.
“A alimentação saudável antes da gestação é importante para a qualidade da formação fetal, pois o óvulo e o espermatozóide carregam o material genético dos pais e os hábitos de vida podem influenciar a qualidade deles. Estudos mostram que a alimentação dos pais até cinco anos antes da concepção pode influenciar na programação do filho. Por isso é importante adquirir hábitos mais saudáveis e diminuir a exposição a toxinas, como plástico, cigarro, álcool, industrializados, entre outros. Já é sabido que os hábitos maternos podem influenciar na genética, o que chamamos de epigenética, influenciando na predisposição a doenças relacionadas à alimentação: diabetes, obesidade, hipertensão, síndrome metabólica e câncer”.
Durante a gravidez, o organismo materno começa a se preparar para o nascimento do bebê e para a amamentação. Nesse período, há a expansão de líquidos e do volume sanguíneo, além do crescimento do útero e das mamas e aumento dos depósitos de gordura. Essas modificações acontecem para suprir as necessidades de mãe e filho. “A mulher deve ter hábitos saudáveis, com o consumo adequado de alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes, e deve diminuir o consumo de alimentos industrializados, embutidos e enlatados. Além disto, deve ter equilíbrio no consumo de proteínas mal digeridas, como leite, glúten e soja. Assim como cuidar do intestino, com o uso de probióticos de forma individualizada, uso de suplemento quando necessário e nutrientes, como o DHA, um componente do ômega-3, importante para desenvolvimento cognitivo e inteligência do bebê”, comenta a nutricionista, ressaltando que problemas de infertilidade podem estar relacionados a questões alimentares.
Especialista em nutrição materno-infantil, Ana Luiza ainda destaca o projeto dos 1000 dias de vida do bebê, que vai da gestação até os dois anos de idade. “Hoje falamos da importância dos primeiros 1000 dias de vida e que é fundamental para formação e desenvolvimento do bebê, sendo uma janela de oportunidade para evitar ou predispor doenças na vida adulta. Então é preciso pensar em hábitos alimentares saudáveis em todas as fases da vida: antes da concepção, durante a gestação e nos primeiros meses de vida do bebê. Estas fases também serão importantes para que essa criança tenha hábitos saudáveis para o restante da vida”, finaliza.

Texto produzido em: 12/06/2018