A tosse é um processo natural do nosso corpo. Ela é um reflexo do mecanismo de defesa que protege a via respiratória de uma secreção ou de algum invasor. Quando a gente engasga, por exemplo, a gente tosse. Mas, quando a tosse é prolongada, devido a alguma condição de saúde, acaba gerando muita ansiedade, sobretudo quando ocorre em crianças. Isso leva a uma série de atitudes equivocadas por parte dos pais, que acabam não resolvendo o problema.
Para detalhar que atitudes são essas, o Mania de Saúde entrevistou a médica pediatra Dra. Ellem Ramos Ferreira Ribeiro, que atua no New Ped Consultório Pediátrico, em Campos. Ela tem residência de Pediatria pela UFRJ, título de especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), fez especialização em Terapia Intensiva Pediátrica e ressalta a maneira adequada de lidar com o problema. “Hoje existe um excesso de tratamento da tosse. Muitos remédios, inclusive, costumam ser utilizados mais para reduzir a ansiedade dos pais do que para tratar a tosse em si. Porque o tratamento, em geral, possui três etapas. A primeira é a hidratação. A criança tem que ingerir muito líquido para poder soltar a secreção desencadeadora da tosse. Se for um bebezinho muito pequeno, que mama no peito, a mãe precisa se hidratar bastante. O segundo passo é manter a via aérea mais umidificada, através de nebulização com soro fisiológico, diversas vezes ao dia. A terceira é lavar o nariz também com soro fisiológico, de 8 a 10 vezes ao dia. Isso vai ajudar bastante a criança nesse processo de tosse”, explicou a pediatra.
Segundo ela, é importante saber também a causa dessa tosse para o tratamento ser, de fato, eficaz. “Existem várias causas para a manifestação da tosse. A principal é o resfriado. Mas existe também a bronquiolite, a coqueluche, a asma, a fibrose cística, bem como a doença do refluxo. A avaliação do pediatra é que vai identificar o problema e orientar o tratamento mais indicado para cada caso”, ressalta Dra. Ellem. “Por isso a gente sempre alerta que os pais tenham um pediatra dando assistência a essa criança. É importante porque, no consultório, muitas vezes não precisa nem de um Raio-X. O pediatra consegue orientar o tratamento sem que seja necessário fazer nenhum exame invasivo. É o que acontece quando a criança vai para uma emergência, por exemplo, que acaba lotando de maneira desnecessária”, disse.
Já a automedicação, segundo Dra. Ellem, é ainda mais perigosa, sobretudo pela falsa ideia de obter uma cura rápida da tosse. “Dependendo do problema, pode-se usar sim os remédios, como antibióticos, antitussígenos, broncodilatadores ou mucolíticos, mas sempre com indicação médica. É importante frisar, no entanto, que nenhum medicamento vai fazer a tosse sumir de repente. As medicações às vezes levam semanas para dar resultado”, lembra a pediatra, mencionando o uso do mel como auxílio no tratamento. “Em 2012, foi publicado na revista Pediatrics um trabalho sobre a utilização do mel na tosse. Foi confirmado que ele reduz a intensidade e a frequência da tosse, principalmente à noite, em crianças entre 1 e 5 anos. Mas só pode ser ministrado em criança maior de um ano, por conta do risco de botulismo”.
Dra. Ellem explica, por fim, aquela sensação que os pais têm de o filho estar sempre doente. “É preciso lembrar que vários tipos de vírus causam resfriado. O principal deles é o rinovírus. Só que existem mais de 100 tipos de rinovírus em circulação. E a criança que sofre infecção por um desses vírus não adquire imunidade contra outro. Por isso os pais acham que ela fica doente o ano inteiro. Às vezes até fica mesmo, mas por vírus diferentes, pois a criança adquire uma infecção, a imunidade vai abaixando, ela nem se recuperou completamente e acaba exposta a outro vírus. Isso é mais comum do que os pais imaginam”, destaca a pediatra. “Outro erro é achar que essa quantidade toda de infecção significa baixa imunidade. Não é. Até os 5 anos de idade, a criança vai ter inúmeras infecções. A média varia de acordo com alguns trabalhos, mas é de 6 a 12 infecções por ano. É preciso, então, paciência e buscar sempre o auxílio do pediatra, para fazer o melhor tratamento”, diz Dra. Ellem. “Esse, aliás, é o principal objetivo da New Ped, que está trazendo um novo conceito de pediatria na cidade, baseado no atendimento integral, individualizado, com consultas diferenciadas e o profissional sempre atuante para resguardar a saúde da criança e oferecer mais conforto e tranquilidade aos pais”, finalizou ela, que é membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB).

Texto produzido em: 23/07/2018