Há pouco tempo, em meio a uma conversa entre amigos, que comentavam o valor do passado e da história, desfiei o pouco que sabia sobre os 342 anos de fundação de Campos dos Goytacazes sem, no entanto, citar o nome da cidade, para ver se adivinhavam o lugar a qual eu aludia. Não só não sabiam, como ficaram interessados nos personagens que mencionei, desde os mais conhecidos, como Benta Pereira, até os menos famosos, porém divertidíssimos, como Laert Chaves e Gastão Machado, cujas histórias parecem verdadeiros objetos de ficção.
O interesse dos amigos se aprofundou quando mencionei, vejam só, a presença do nosso Google Campista, o Dr. Wellington Paes, que dedicou e dedica boa parte do seu tempo livre a formar uma vasta biblioteca com livros e periódicos cujos temas e autores versam sobre a terra goitacá. Quem já entrou naquela biblioteca sabe: se existe uma porta de entrada para a história de Campos, a chave está com Dr. Wellington.
A lembrança dele me remeteu aos muitos livros que tive a oportunidade de ler nesses 15 anos em que vivo na planície, de autores como José Cândido de Carvalho, Alberto Lamego, Álano Barcelos, Osório Peixoto, Waldir P. Carvalho, Arlete Sendra, Avelino Ferreira, Herbson Freitas, Fernando da Silveira, Orávio de Campos, Saulo Pessanha, entre muitos outros, que apesar de abordarem assuntos tão distintos, compuseram, talvez sem saber, um rico panorama da história local, do seu modo de vida, suas particularidades, suas transcendências, falando muito mais de Campos do que os estereótipos do dia a dia. 
Sim, porque a história campista está nas praças e ruas, nas fachadas dos prédios, no chão do boulevard, na memória dos mais antigos, na indigência dos mais novos, mas também está nos livros, como atesta a biblioteca de Dr. Wellington Paes, que comporta um manancial imenso de historicidade, deixando de boca aberta inúmeros municípios talvez até maiores (talvez até mais ricos), mas cuja memória se perdeu na pátina do tempo..
Hoje em dia está na moda admirar personagens grandiosos, com biografias volumosas, que entopem as estantes de livrarias do mundo inteiro com pedantismo e má literatura. Há até quem admire demais alguns políticos como se fossem celebridades postas em pedestais. Confesso que não ligo para nenhum deles: eu admiro é Wellington Paes!

Texto produzido em: 16/04/2019