As dores na coluna constituem uma das mais frequentes causas de queixa nos ambulatórios médicos e também é a segunda causa de afastamentos dos trabalhadores no Brasil, de acordo com dados do Ministério do Trabalho. As dores na coluna podem ser classificadas como agudas, com menos de três meses de evolução, e crônicas, com mais de três meses. Além disso, podemos classificá-las como mecânicas – dores posturais, escoliose, doenças degenerativas, hérnia de disco – e dores inflamatórias, que, apesar de ser um número reduzido de casos, constituem um desafio no diagnóstico. Existem diversas patologias que podem provocar a dor inflamatória na coluna. O médico reumatologista Dr. Luiz Clóvis Bittencourt destaca os avanços científicos na última década que facilitaram o diagnóstico e também o tratamento de doenças como a espondilite anquilosante, que é a mais característica das espondilartrites.
“Quando falamos em dor inflamatória devemos pensar em pacientes com menos de 40 anos, com dor crônica, geralmente na coluna lombar e, por vezes, na cervical, como também na região glútea por conta das articulações sacro-ilíacas. Diferente da dor mecânica, a dor inflamatória sempre piora quando o paciente fica em repouso (rigidez matinal). É muito comum nos depararmos com jovens de 20 a 30 anos rotulados com dores crônicas na coluna por uma escoliose, porém com características inflamatórias. Indivíduos jovens que acordam com dores nas costas, que ficam com rigidez e limitações por mais de três meses, devem procurar o médico. Pacientes com esses sintomas foram diagnosticados com outras patologias por anos, e somente após os critérios ASAS 2009 (Assessment of Spondylo Arthritis International Society) que houve uma revolução no diagnóstico e no tratamento das doenças inflamatórias da coluna”.
Nos últimos dez anos com novos critérios (ASAS 2009), a inclusão de novos diagnósticos, principalmente nas mulheres, proporcionou uma mudança no cenário das espondilartrites. “A precocidade no diagnóstico resulta em um prognóstico muito melhor, com um tratamento mais eficaz e que minimize a evolução da doença e dos danos estruturais da coluna. Temos visto nos últimos anos um grande número de mulheres com dores crônicas na coluna, frequentemente diagnosticadas como fibromiálgicas. Com os novos critérios ASAS, uma parcela considerável destes pacientes foi diagnosticada como um subgrupo despondilartrite axial sem evidência radiográfica”, afirma Dr. Luiz Clóvis, enfatizando o diagnóstico por completo. “O diagnóstico, em princípio, é clínico, é ouvir a história do jovem, os sintomas, como dor lombar crônica, torcicolo de repetição, o esporão no pé e o histórico familiar. Esses são os principais indícios da espondilite anquilosante. A partir daí o médico solicita exames complementares, tais como exame de sangue, exames de imagens (ressonância magnética), com as técnicas específicas que nos permitiram diagnosticar precocemente o edema inflamatório da articulação sacro-ilíaca, que corresponde ao achado radiológico mais importante para o diagnóstico precoce”.
O tratamento da espondilite anquilosante engloba diversas modalidades terapêuticas que podem ser usadas em associação. Quando tratada adequadamente é possível minimizar a ocorrência de deformidades e se obter um adequado controle da doença. “O tratamento, como a maioria dos tratamentos para doenças autoimunes, é individualizado. Se você tem uma doença mais benigna, você vai tratar de uma forma menos agressiva, com anti-inflamatórios e exercícios físicos. Nos casos mais graves, temos hoje tratamentos mais complexos com os chamados imunobiológicos, medicamentos que fizeram uma revolução na qualidade de vida dos pacientes. Os nossos pacientes já utilizam esses medicamentos há cerca de 13 anos. No caso da espondilite o importante é controlar a dor e a progressão da doença, mantendo a função articular da coluna, fortalecendo os músculos eventualmente enfraquecidos e priorizando a qualidade de vida do paciente”, finaliza o reumatologista.

Texto produzido em: 11/04/2018