No Brasil, segundo dados do IBGE, 45 milhões de pessoas possuem algum tipo de necessidade especial, o que corresponde a quase 24% da população. Trata-se de um público que, mesmo sendo bastante expressivo, sente enorme dificuldade em encontrar, no dia a dia, um atendimento especializado no âmbito da saúde. Diante dessa realidade, é mais do que essencial que todas as áreas estejam preparadas para lidar com os pacientes especiais, sobretudo em um mundo onde a expectativa de vida vem aumentando ano a ano.
Para abordar o tema, o Mania de Saúde entrevistou a cirurgiã dentista Dra. Ada Lavor Pellegrini, que possui especialização em pacientes com necessidades especiais, com ênfase em atendimento domiciliar e hospitalar. Formada em 2003 pela Faculdade de Odontologia de Campos, ela vem promovendo uma odontologia diferenciada em nossa região, por meio de uma abordagem humanizada e multidisciplinar, atendendo pacientes portadores de necessidades especiais de todo o Norte e Noroeste Fluminense.
Dra. Ada explica como é feito esse trabalho. “Após o primeiro contato na residência do paciente, é elaborado todo o planejamento estratégico e plano de tratamento para o atendimento domiciliar. Em seguida, levamos todo o aparato necessário a um consultório, mas com o diferencial de estar com o dentista especialista na casa do paciente, com atendimento voltado para a promoção da saúde, onde treinamos o cuidador e o familiar, motivando-os sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal e os riscos que uma infecção pode causar ao paciente”, diz Dra. Ada. “Um idoso, um indivíduo acamado ou com doença crônica estão mais suscetíveis a contrair infecções e o dentista exerce uma importante função no controle dos possíveis focos de infecção, interferindo diretamente na qualidade e expectativa de vida dos pacientes”, acrescentou.
Para esse atendimento, Dra. Ada dispõe de um consultório portátil, com tecnologia de ponta, que passa por constante renovação de aparelhos e materiais para melhorar a qualidade do tratamento na residência do paciente. Além disso, ela possui um consultório sede, em um espaço físico amplo, com total acessibilidade, reunindo todo o aparato necessário para dar suporte ao atendimento domiciliar, que é voltado para idosos, acamados e pacientes com necessidades especiais.
“É um trabalho que vai além da tecnologia e do mecanicismo que a profissão exige. Ter habilidade com a técnica e materiais odontológicos é essencial, porém o feeling de criar protocolos de atendimento individualizados, com abordagem psicológica correta, sabendo abrir um canal de comunicação com o paciente, seja ele verbal, gestual ou pelo olhar, requer do profissional algo mais. Esse é o grande encanto, o desafio diário da profissão que escolhi”, afirma a cirurgiã dentista.
Dentro do sistema de classificação de necessidades especiais, conforme revela Dra. Ada, existem diferentes grupos de pessoas, com características particulares, que precisam ser compreendidas para aprimorar o atendimento ao paciente e à família. “Pacientes com doenças crônicas como diabetes, cardiopatias, doenças hematológicas, pacientes irradiados, oncológicos, insuficiência renal, doenças autoimunes, hipertensos, gestantes, pacientes com alterações neurológicas, motoras, físicas e de comportamento e anomalias congênitas necessitam de cuidados especiais. A criação de protocolos de atendimento individualizados exige do profissional constante estudo sobre a fisiologia e a fisiopatologia de cada paciente, além da habilidade em lidar com suas características comportamentais, físicas e emocionais. Por isso devemos estar preparados para atendê-lo na sua individualidade. Toda relação profissional, nesse contexto, acaba sendo uma tríade formada por família, paciente e especialista. O atendimento odontológico depende da maneira pela qual essas três dimensões se relacionam”, explicitou Dra. Ada, lembrando a relevância desse trabalho na atualidade. “Hoje muitas pessoas precisam do atendimento especializado na odontologia. A longevidade vem aumentando e os pacientes com necessidades especiais precisam de um profissional que saiba lidar com essas peculiaridades para evitar maiores riscos à saúde e, consequentemente, levar uma melhor qualidade de vida para cada um deles”.