A cirurgia minimamente invasiva já está completamente consolidada e abrange quaisquer tipos de patologia, proporcionando um menor trauma cirúrgico e, também, uma melhor recuperação para os pacientes. Um caso ilustrativo desse tipo de recurso é a cirurgia para endometriose severa, realizada por meio da videolaparoscopia, que vem se tornando um grande auxílio para as mulheres acometidas pela doença.
Para abordar o assunto, o Mania de Saúde ouviu o médico e cirurgião Dr. Gustavo Cunha Rodrigues, que esteve recentemente em Barretos/SP, no IRCAD, filial latino-americana do instituto francês de mesmo nome, sediado em Strasbourg. O IRCAD possui vários cursos, todos na área de cirurgia minimamente invasiva e robótica. Foi lá que Dr. Gustavo fez o treinamento para cirurgia de endometriose severa com uso da videolaparoscopia, método em que ele é especialista e que agora pode ser utilizado nos casos cirúrgicos de endometriose.
Dr. Gustavo Cunha Rodrigues falou um pouco sobre a doença e como o tratamento pode ser realizado. “Na endometriose, o tecido endometrial funcional é implantado fora da cavidade uterina. Os sintomas dependem da localização dos implantes e podem ser dismenorreia (cólicas menstruais), dispareunia (dor durante a relação sexual), infertilidade, disúria (dor ao urinar), dor à evacuação e apresentam dor ao exame ginecológico. A endometriose fica confinada à superfície peritoneal ou à superfície dos órgãos pélvicos, geralmente nos ovários, ligamentos uterinos e fundo de saco posterior. Os lugares acometidos com menos frequência incluem as trompas, intestinos delgado e grosso, bexiga, vagina, cicatrizes cirúrgicas. O distúrbio acomete mulheres jovens em período fértil, com média de 25 anos, mas podendo acometer adolescentes também. Ele é a principal causa de infertilidade feminina e tem comportamento hereditário. O diagnóstico é feito inicialmente pelo quadro clínico apresentado pela paciente, com os sintomas relatados acima e que pioram durante a menstruação. Podemos usar exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, mas algumas vezes esses exames podem não identificar alterações e, com isso, pode ser necessária uma laparoscopia diagnóstica, para fechar o diagnóstico e, se possível, começar o tratamento. Inicialmente, ele é feito pelo médico ginecologista, com medicações como anticoncepcionais para interromper a menstruação e tentar melhorar os sintomas. Quando o tratamento clínico falha, a paciente é encaminhada para a cirurgia e o tratamento vai depender do estágio da doença, sua localização e desejo ou não de engravidar da paciente. Esse tratamento pode ser feito todo por videolaparoscopia e consiste desde de cauterização de focos de endometriose e liberação de aderências até ressecção de órgãos como ovários, trompas, útero e intestinos”, destacou o médico e cirurgião.
Ele lembra, no entanto, que o tratamento cirúrgico não cura a endometriose. “A cirurgia elimina os principais focos da doença e diminui o processo inflamatório dentro do abdômen, melhorando a dor e a fertilidade. E, algumas vezes, podem ser necessárias mais de uma cirurgia para complementar o tratamento, pois, mesmo que ele seja eficaz, pode haver recidivas da endometriose em até 50% das pacientes. Além disso, após a cirurgia, a paciente é encaminhada de volta ao ginecologista para ver se é necessário complementar o tratamento cirúrgico com medicamentos. O importante é a paciente estar sempre bem acompanhada e o diálogo ser o melhor possível para ajudá-la a enfrentar esse problema”, finalizou.

Texto produzido em: 22/08/2018