Um dos maiores sintomas da crise financeira dos últimos anos foi a quantidade de hospitais que fecharam as portas em todo o país, deixando inúmeros pacientes – e às vezes municípios inteiros – sem atendimento básico de saúde. A despeito dessa realidade, entretanto, houve quem soubesse elaborar estratégias para vencer a crise e garantir, à população, o acesso a inúmeros serviços de qualidade. No interior fluminense, um grande exemplo disso é o Hospital São Vicente de Paulo, em Bom Jesus do Itabapoana, que chega a 2019 se portando como um dos grandes centros hospitalares da nossa região.
O administrador de empresas Victor Cesar Jorge Pavan, especializado em gestão hospitalar pela UFRJ e diretor administrativo do Hospital São Vicente de Paulo falou, ao Mania de Saúde, sobre esse novo momento da entidade, que esteve perto de fechar as portas, mas hoje é vista com outros olhos pela população. “Foram dois anos de trabalho bastante acirrado desde o início da nossa gestão. O hospital estava com praticamente 90% dos seus serviços terceirizados, incluindo ultrassom, densitometria, mamografia, raio-X, tomografia, análises clínicas, entre outros. A princípio, optamos pela retomada desses serviços para, em seguida, implementar outros. Foi uma estratégia nossa buscar novos parceiros, estabelecer convênios com outros municípios e referenciar PPis da região Noroeste e região Norte para Bom Jesus do Itabapoana. Para quem não sabe, PPI é a chamada Programação Pactuada Integrada, um procedimento onde o Ministério da Saúde manda o recurso para os municípios bancarem essas ações e serviços de saúde, o que viabiliza procedimentos de média e alta complexidade. Com isso, a gente transferiu PPis de muitos municípios para o Hospital São Vicente de Paulo, entre eles, São José de Ubá, Porciúncula, Natividade e até municípios da região Norte, como São Francisco do Itabapoana, exemplificando a relevância do hospital na região”.
Victor cita, também, a importância das parcerias firmadas pela nova gestão. “A UniRedentor foi a primeira delas. Entre 2017 e 2018, foram mais de R$ 1 milhão e meio em investimentos por parte da instituição, trazendo tecnologias de grande relevância, como é o caso do arco cirúrgico, que possibilitou a reabertura da neurocirurgia. Havia mais de 12 anos que o hospital não realizava procedimentos nessa área. A parceria com a instituição favoreceu muito os nossos serviços”, disse. 
O diretor menciona outras conquistas do hospital. “Hoje a gente conta com uma equipe de ponta em cardiologia, com seis médicos e toda estrutura diagnóstica para os pacientes. O laboratório de análises clínicas, que era terceirizado e tinha uma produção total na casa dos 6 mil exames/mês, hoje realiza entre 15 e 16 mil exames/mês. Retomamos também o serviço de imagem, a ultrassonografia, a densitometria óssea e o serviço de tomografia computadorizada, que muito tem contribuído para o desenvolvimento do hospital, favorecendo o custeio de outros serviços, além da ressonância magnética, que já se encontra instalada e prestes a inaugurar”, revelou.
Entre os serviços que foram ampliados, estão as cirurgias eletivas. Segundo Victor, o hospital tinha uma produção na casa de 394 cirurgias/ano, mas agora fechou 2018 com 2.087 cirurgias produzidas. “É praticamente seis vezes mais que a produção anterior”, diz ele. “A reabertura da neurocirurgia, possibilitada pela compra da caixa básica pela UniRedentor, bem como o arco cirúrgico, foi outro grande diferencial desse novo momento do São Vicente de Paulo, que conseguiu resgatar em muito a credibilidade dos convênios. Além disso, a prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana vem contribuindo bastante com o hospital, fazendo os repasses em dia e centralizando nele as compras de serviços do município, o que é muito importante para o nosso desenvolvimento. Hoje o hospital entende a necessidade de ofertar cada dia mais serviços ao SUS para que possamos, na nossa cota extra, atender aos planos de saúde e convênios, porque somos um hospital filantrópico e, obrigatoriamente, temos que realizar 60% de atendimento SUS. E a própria filantropia, que estava indeferida desde 2013, foi renovada até 2020, o que é outra conquista do hospital”.

 

André Raeli Gomes, Presidente do Centro Popular Pró-Melhoramento de Bom Jesus, entidade que mantém o hospital, revela como se iniciou essa retomada do São Vicente de Paulo. “Enquanto presidente, minha missão era revitalizar o hospital São Vicente de Paulo. A partir daí, foi formado um conselho muito sério, composto por pessoas renomadas da sociedade no que tange a reputação e a competência. Esse conselho, junto com o Centro Popular Pró-Melhoramento, escolheu a presidente do Hospital, que é a Jussara Gomes de Souza e, desde então, o trabalho vem sendo desenvolvido com excelência. Tanto que o São Vicente de Paulo apresentou um desenvolvimento espetacular nos últimos anos. Os números falam por si só”, aponta Raeli, citando os próximos desafios do São Vicente de Paulo. “A intenção é que ele se torne um hospital de ensino, aumentando o repasse SUS e permitindo com que as instituições de ensino utilizem aquele espaço como um grande celeiro da educação em saúde, beneficiando assim todo o interior fluminense”. 

 

Texto produzido em: 18/03/2019