Foi-se o tempo em que tratar um paciente cardiopata se restringia à mera prescrição de remédios. Hoje, mais do que nunca, o exercício físico é um recurso essencial para garantir a essas pessoas uma melhora significativa em seus respectivos quadros de saúde. Mas como um indivíduo que sofreu um infarto agudo do miocárdio pode, por exemplo, iniciar uma rotina de atividade física? Até que ponto ela será benéfica para ele? Como fazer qualquer tipo de esforço após um susto dessa magnitude? 
Essas perguntas são bastante comuns na vida de muitas pessoas, mas a ciência já trouxe a resposta para elas: a reabilitação cardíaca. Trata-se de um método em que o paciente realiza exercícios, sob a supervisão de um cardiologista, para estudar o condicionamento físico e poder se movimentar sem medo ou riscos ao corpo. O resultado é um paciente apto à prática esportiva e capaz de melhorar, em muito, o seu estado de saúde.
Em Campos, quem tem feito esse serviço, que só existe nas grandes metrópoles, é a ReabiliCor, cujo funcionamento já obteve resultados incríveis com os pacientes. Tanto que está prestes a mostrá-los em revistas ou congressos científicos país afora. Isso porque a ReabiliCor funciona dentro da Clínica Harmony e passou a incluir, na reabilitação cardíaca, a parte de Pilates, com a Dra. Cecilia Siqueira, o que elevou a resposta dos pacientes a esse método recomendado pela própria Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) como forma de melhorar a qualidade de vida dos cardiopatas.
É o que conta, ao Mania de Saúde, o médico cardiologista Dr. Rafael Chácar, responsável técnico pela ReabiliCor. “A ReabiliCor está funcionando há sete meses e, ao longo desse período, buscamos quebrar alguns paradigmas. Hoje, por exemplo, é comum as pessoas depositarem muita confiança nos remédios. Mas a crença não pode estar só nos medicamentos. A atividade física é crucial para a saúde do paciente. Quando ele tem um infarto, uma insuficiência cardíaca, é diabético ou até mesmo obeso com dificuldade de emagrecimento, sempre ouve que precisa caminhar, se exercitar, mas ele não sabe fazer aquilo sozinho. O paciente se sente inseguro. É nesse contexto que a reabilitação cardíaca se torna uma importante aliada para ele obter saúde e qualidade de vida”, diz Dr. Rafael. “A ReabiliCor surgiu para suprir essa necessidade. O serviço é coordenado por mim em parceria com a fisioterapeuta Dra. Cecilia Siqueira. Montamos uma estrutura para reunir o know how da cardiologia e da fisioterapia. Com isso, a gente trabalha o lado aeróbico e a parte de contra resistência, com o Pilates, o que provoca um aceleramento na capacidade de melhora do indivíduo. A gente fica muito feliz, por exemplo, quando um paciente obeso afirma que agora consegue realizar atividades que antes não conseguia, como amarrar um cadarço. Pacientes que antes faziam 2 km por hora numa esteira, hoje já estão correndo, com toda a segurança. Isso tudo em apenas 7 meses de serviço. Temos pacientes fiéis, que não querem sair devido à forma como a vida deles se transformou depois da reabilitação”, afirma.
Dr. Rafael lembra o caso de três pacientes que exemplificam bem a importância da reabilitação cardíaca. “Teve um que chegou até nós com baixíssima capacidade funcional. O que é isso? É ter pouca tolerância ao esforço. Se eu colocasse o paciente para andar uma certa distância, ele ia parar, sentir uma pressão no peito e muito cansaço. Aos poucos, fomos trabalhando o condicionamento físico e, hoje, ele já anda bem mais rápido e confiante. Inclusive, se exercita no limiar da dor. Porque ele está sob monitoramento eletrônico e sabe que esse esforço será benéfico ao corpo. Para se ter uma ideia, o médico desse paciente é do Rio de Janeiro e pediu novos exames, entre eles, a ressonância. Os profissionais que fizeram a ressonância perguntaram ao paciente o que ele estava fazendo, pois exibia um ótimo estado de saúde na avaliação”, contou Dr. Rafael. “Há também um outro caso interessante de um paciente que sofreu um infarte, porque existe essa mística de achar que, se infartou, não pode mais se exercitar, sendo que, desde 1946, a medicina provou que esse é o indivíduo que mais vai morrer. Mas o paciente chegou até nós e, em menos de um ano, já conseguiu perder 15 quilos, de forma natural, sem remédio algum. Só de cintura, ele já perdeu de 18 a 20 cm. Então, dá para imaginar a qualidade de vida que ele está tendo”, relatou o médico. “Houve outro caso em que o indivíduo achava que estava bem de saúde. Quando ele fez o primeiro teste de esforço comigo, não tolerou quase nada. Ali o paciente sentiu que não estava bem. Mas, depois de muito acompanhamento, a vida dele mudou. Isso pode ser visto nas avaliações. Esse paciente faz ecocardiograma com regularidade e, no mais recente, o médico dele notou que, de um coração que tinha uma extrema dificuldade em bater, a chamada hipocinesia severa, já se alterou para uma hipocinesia de leve a moderada. Ou seja, o coração está batendo melhor, digamos assim. Isso significa uma maior qualidade de vida. Hoje esse paciente até corre na esteira. Faz 40% a mais do que fazia no começo. Temos muitos casos assim, sempre de sucesso, o que demonstra a relevância do serviço”, disse Dr. Rafael.
A reabilitação cardíaca, segundo ele, é recomendada pelas entidades da área de cardiologia como um método coadjuvante de extrema relevância para a saúde. É importante que os médicos se atentem para a importância desse recurso como forma de melhorar o quadro geral dos seus pacientes e fazê-los, efetivamente, se exercitar, garantindo assim uma maior qualidade de vida para todos. Que tal conhecer o serviço e mudar, para melhor, a saúde de cada um deles?
 
Texto produzido em: 25/02/2018