Em setembro de 1930 nascia o pianista norte americano Ray Charles Robinson, pioneiro da música soul e que definiu o formato deste tipo de canção, além de ter inovado a R&B, tendo sido considerado um dos maiores gênios da música americana e o responsável pela introdução do ritmo gospel na música comum da época.
Ray Charles não nasceu cego. Ele ficou totalmente cego aos sete anos de idade. Charles nunca soube exatamente por que perdeu a visão, apesar de existirem fontes que dizem ter sido devido a glaucoma, enquanto outras fontes sugerem que Ray começou a perder a sua visão devido a uma infecção provocada por água com sabão nos seus olhos, que foi deixado sem tratamento. Frequentou a Escola para Cegos e Surdos de Santo Agostinho, em St. Augustine, Flórida. Aprendeu também a escrever música e tocar vários instrumentos musicais, mas o melhor e mais conhecido é o piano.
Órfão na adolescência, Ray Charles iniciou a sua carreira tocando piano e cantando em grupos de gospel, no final dos anos 40. A princípio influenciado por Nat King Cole, trocou o gospel por baladas profanas e, após assinar com a Atlantic Records em 1952, enveredou pelo R&B. Quando o rock & roll estourou com Elvis Presley em 1955 Ray Charles aproveitou o espaço aberto na mídia e lançou sucessos como “I Got a Woman”, “What I’d Say”, “Litle girl of Mine”, entre outros, reunindo elementos de R&B e gospel nas músicas de uma forma que abriria caminho para a soul music dos anos 60, o que o tornou um astro do pop negro.
Não se ateve a nenhum gênero musical negro específico e conviveu com o jazz, gravou baladas românticas chorosas e standards da canção americana. Entre seus sucessos históricos desta fase estão canções como “Unchain My Heart”, “Ruby”, “Georgia On My Mind” e baladas country tais como “Sweet Memories”, e seu maior sucesso comercial, “I Can’t Stop Loving You”, de 1962. Apesar de problemas com drogas que lhe prejudicaram a carreira, as interpretações de Ray Charles sempre foram apreciadas, não importando as músicas que cantasse. Uma genialidade reconhecida acompanhou-o até o fim da vida e mais do que nos últimos álbuns que gravou, era nas suas apresentações ao vivo que o seu talento único podia ser apreciado.
Faleceu aos 73 anos de idade vítima de uma doença no fígado no auge de seu prestígio.

Texto: 20/08/2018