Estima-se que, em 2030, teremos no mundo 27 milhões de diagnósticos de câncer a cada ano, sendo 70% deles em países de baixa renda. Além disso, é esperado um aumento de 70% no número de casos novos ao longo das próximas duas décadas. A situação alarmante enfatiza a necessidade de medidas de prevenção urgente para vencer a batalha contra a doença.
A nutrição tem papel fundamental tanto na prevenção quanto na carcinogênese (ou seja, o processo de formação do câncer). A nutricionista Sheila Pontes tem focado seu trabalho em nutrição clínica e oncológica e aponta dados que comprovam este fato. “Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que determinados fatores da dieta são responsáveis por aproximadamente 30% dos cânceres em países desenvolvidos e 20% em países em desenvolvimento. A nutrição atua como fator de prevenção primária do câncer de duas maneiras: pela ingestão de alimentos que atuam como fator de proteção contra a doença e evitando a ingestão de alimentos que contenham fatores cancerígenos. Hábitos alimentares saudáveis podem prevenir de 3 a 4 milhões de casos novos de câncer a cada ano”, disse.
Ainda de acordo com a nutricionista, é importante enfatizar que a alimentação adequada, além de fornecer energia e nutrientes essenciais, pode contribuir para a promoção de efeitos fisiológicos benéficos. “Os alimentos que contém essas propriedades são conhecidos como alimentos funcionais. Dentre as mais utilizadas estratégias de prevenção do câncer está a quimioprevenção, que é a utilização de uma ou mais substâncias químicas com o objetivo de inibir, retardar ou reverter o processo carcinogênico. Os principais alimentos funcionais com ação quimiopreventiva são os fitoquímicos, os de ação oxidante, de ação anti-inflamatória e nutrientes com ação imunomoduladora. Entre os alimentos que apresentam esses componentes, destacam-se soja, tomate, brócolis, couve-flor, repolho, alho, cenoura, linhaça, óleo de peixe, chá-verde, uva roxa, frutas vermelhas, açafrão, gengibre e alcachofra. É importante lembrar que nenhum alimento isolado é capaz de prevenir ou induzir o câncer. Isso depende de fatores internos e externos, entre os quais, a dieta como um todo. No entanto, depois que a doença está instalada, a dieta toma dimensões diferentes, devendo fazer parte do tratamento terapêutico, a fim de minimizar os prejuízos decorrentes da doença. Bem como aumentar a defesa imunológica do organismo”, finaliza.

Texto produzido em: 09/08/2018