A conscientização dos mais jovens é uma das saídas para a prevenção de acidentes no trânsito, não só porque eles são os motoristas de amanhã, mas porque eles também são afetados pela imprudência no trânsito. Segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes de trânsito são o primeiro responsável por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade e o segundo, na faixa de 5 a 14 anos.
De acordo com a pesquisa “O Jovem e o Trânsito” com mais de mil adolescentes e jovens do Brasil entre 12 e 17 anos, mais de 70% admitiu que a educação no trânsito não é um tema abordado na grade curricular da escola. Mesmo que a educação para o trânsito esteja prevista na última reformulação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que entrou em vigor em janeiro de 1998, poucas escolas exploram o assunto.
As pesquisas apenas confirmam que os jovens não são preparados para o trânsito e muito menos para dirigir, o que acaba recaindo na responsabilidade das autoescolas. “A grande maioria chega na autoescola sem saber quase nada das regras de trânsito e sem nenhuma iniciação. Então temos que ensinar tudo para que ele esteja em condições de ser aprovado na prova teórica e prática, e cair nas ruas de um trânsito caótico e violento. Acredito que todo este processo seria mais fácil se houvesse uma educação de trânsito desde a escola”, afirma um instrutor de uma autoescola de Campos.
Com este modelo de ensino e de avaliação para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), os jovens, muitas vezes, se sentem mais pressionados na hora que sentam no banco do motorista com um fiscal do Detran ao lado. “Assistir as aulas, passar na prova teórica e até as aulas de direção são fáceis. O problema é quando chega no dia da prova prática. O nervosismo atrapalha e um descuido pode resultar em fracasso. Então, o aspecto psicológico acaba contando mais do que o que realmente aprendi e sei sobre dirigir”, conta a estudante Thais Leite, de 22 anos, que inicia o processo para retirar a CNH pela segunda vez.
Para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o cidadão precisa passar por um longo período de aulas que começa na autoescola com as aulas teóricas. Após o processo de aulas teóricas, é a vez de dar início às aulas práticas. Seja de carro ou de motocicleta, o condutor deve estar atento e colocar em prática todo conteúdo que aprendeu durante as aulas teóricas, além de estar sempre atento às recomendações do instrutor. Depois desses dois períodos de aprendizado, chega o momento mais esperado pelo condutor, que é o exame ou a prova final. E não passar na prova prática implica em alguns pontos negativos para o futuro condutor. Além de lidar com a frustração e insegurança, ele terá desembolsar mais dinheiro para poder realizar novamente os exames.
“Espero conseguir a CNH para ter mais independência e poder ter mais autonomia. Eu me considero apta a dirigir, mas preciso da carteira para isso. Tenho que controlar a ansiedade e o nervosismo na hora da prova para que não me atrapalhe”, finaliza Thais, após mais uma aula de direção.

Texto produzido em: 13/07/2017