Cena cotidiana flagrada por um dos nossos repórteres na sala de espera de um consultório. Duas senhoras de meia idade conversam e uma diz para a outra: “Hoje em dia todo mundo é alérgico a alguma coisa. Antigamente não tinha isso”. A conversa não durou mais porque a interlocutora logo foi chamada para atendimento.
A partir deste diálogo, nossa reportagem resolveu investigar o que tinha de verdade no comentário da senhora. Procuramos então o Centro Avançado de Alergia e Imunologia e fomos recebidos pela Dra. Grazielle Petrucci, que nos esclareceu alguns pontos. 
Mania de Saúde – Tem aumentado o número de pessoas alérgicas ou o diagnóstico que tem sido mais preciso?
Dra. Grazielle Petrucci –
Tem acontecido as duas coisas. No entanto, o que a gente percebe é que muita gente ainda confunde alergia com outros sintomas como diarreia ou coceira. Mas é fato que o número de alérgicos está aumentando. Oito em cada cem crianças sofre com algum tipo de alergia alimentar. Não se sabe ao certo porque esse número tem crescido. O que se pode afirmar hoje em dia, através de estudos, é que se tem influência do fator hereditário. Outras coisas que influenciam são o ambiente e os hábitos de vida. Nós temos uma população de bactérias que chamamos de flora intestinal e isso é normal. No entanto, uma alimentação pobre em vitaminas, ômega 3 e rica em enlatados, condimentos, produtos industrializados diminui essas bactérias, causando um desequilíbrio na flora intestinal e predispondo o indivíduo a desenvolver uma alergia alimentar. Se especula também que a diminuição do período de amamentação possa interferir neste quadro. Com o leite materno a criança está recebendo nutrientes, vitaminas e, além disso, aumentando a sua flora intestinal. E ainda fala-se que o aumento de parto por cesarianas pode ser um fator no caso das alergias, já que, no parto normal, quando a criança passa pelo canal vaginal, já tem contato com algumas dessas bactérias, o que não acontece na cesariana. São especulações que reforçam o aumento do número de alergias.
Mania de Saúde – Qual a diferença de alergia alimentar para intolerância?
Dra. Grazielle Petrucci –
Na alergia, se tem sintomas generalizados, atingindo todo o seu organismo. É uma resposta exagerada a um determinado antígeno e se tem a produção de um anticorpo que atinge vários órgãos como a pele (causando urticária, levando ao edema, pode ocasionar dermatite atópica), parte respiratória (rinite, asma) e a parte gástrica (diarreia, vômitos, refluxo, fezes com sangue). Já a intolerância tem sintomas relacionados apenas à parte gástrica. Por exemplo, alguém com intolerância à lactose tem uma deficiência da enzima lactase que digere o leite. Então essa pessoa pode ter sintomas como a diarreia, refluxo, vômitos.
Mania de Saúde – Assim como cresceu o número de alérgicos, também aumentaram as ferramentas de diagnóstico?
Dra. Grazielle Petrucci –
Sim. Mas a gente sabe que, quando está diante de uma alergia, você pode até fazer os testes alérgicos, teste cutâneos, exames de sangue, mas o mais fidedigno, o padrão ouro para o diagnóstico de alergia alimentar é a dieta de exclusão, tirando o alimento e observando a reação do organismo do paciente. Hoje em dia os alimentos mais comuns de se fazer alergia são o leite, a soja, o ovo, amendoim, crustáceos e frutos do mar, trigo, castanhas e nozes. 

Texto produzido em:  20/09/2017