Quem acha que brasileiro não é apaixonado por carro é porque não conhece Rodrigo Viana. O campista entrevistado pelo Mania de Saúde para a Veículos & Cia. tem uma história inspiradora ligada ao universo automotivo, servindo de exemplo aos que ainda duvidam em seguir os seus sonhos.
É que ele se tornou, há poucos anos, o único jornalista do interior do Rio de Janeiro credenciado pela Fédération Internationale de l’Automobile, a FIA, para cobrir o GP Brasil de Fórmula 1, onde entrou em contato direto com o mundo dos pilotos, visitando os boxes de cada equipe e concretizando o sonho do menino que, no passado, se encantou por carrinhos de Fórmula 1.
“Minha paixão pelo universo automotivo começou muito cedo. Desde criança, sempre gostei de carrinhos. Era o presente que eu mais ganhava. Depois de um tempo, furtaram essa minha primeira coleção, o que me desanimou. Mas, na juventude, não resisti. Passei a colecionar novos carrinhos. Hoje eles somam mais de 200. Depois, comecei a acompanhar as corridas automobilísticas e, desde então, já juntei mais de 1000 revistas sobre o assunto, além de cartas originais de todos os fabricantes de automóveis, como Rolls-Royce da Inglaterra, Ferrari e Lamborghini da Itália, entre muitos outros, porque antigamente não existia internet e vinha tudo pelos Correios. O livro que ganhei da Honda, feito em homenagem ao Ayrton Senna, por exemplo, é uma raridade dessa época. Mandei a carta em inglês e eles responderam em português. Esse contato com os fabricantes sempre foi muito interessante. Toda essa vivência naturalmente me levou a lidar com carros. Me tornei vendedor de automóveis e exerço a profissão até hoje”, destacou Rodrigo, que possui um escritório onde guarda dezenas de carrinhos dos mais variados modelos, além de revistas, jornais, fotos e uma sofisticada biblioteca, repleta de livros raros sobre o ramo.
Uma prova de que, no caso dele, lidar com carros não é só uma profissão, mas um objetivo de vida, uma paixão, que, justamente por ser encarada assim, rendeu voos mais altos, como a presença na Fórmula 1.  “Sempre tive vontade de chegar mais perto da Fórmula 1, mas é um universo muito restrito. Até que, em 2015, a Honda, que fornecia motores para a McLaren, fez uma grande campanha de vendas. Não perdi tempo. Batalhei muito e consegui ser o melhor vendedor do Brasil na categoria da minha concessionária. Isso me permitiu assistir à corrida, com tudo pago, em uma arquibancada especial. A experiência foi tão boa que, no ano seguinte, tentei me credenciar como jornalista, pois escrevi sobre Fórmula 1 a convite de um jornal de Macaé e poderia aproveitar a oportunidade. Mas não foi fácil. A FIA é muito fechada. As exigências são enormes. Só que, devido à simpatia que o diretor de imprensa do Brasil teve comigo, ao ver minha história pelo Facebook, consegui enviar todo o material que tinha para ele analisar a tempo e ver se conseguia a credencial. Esse processo levou meses, porque passa pelo Brasil e pela sede da FIA, na França, além de ser muito concorrido, pois atrai órgãos de imprensa do mundo inteiro. Mas, para minha surpresa, acabei conseguindo. Fui aprovado e nem acreditei. Outros veículos de grande porte, por exemplo, não conseguiram se credenciar. E foi uma experiência fantástica porque, no autódromo, você tem acesso a todos os pilotos, aos chefes de equipe, aos boxes, aos jornalistas de vários países, entre outros profissionais da Fórmula 1. É uma experiência quase que indescritível”, destacou Rodrigo, que se surpreendeu com o comportamento dos pilotos e dos outros profissionais que atuam no GP. “A humildade é o que mais me chamou a atenção. Afinal, estamos falando de um ramo milionário, gigantesco, de alcance mundial, que envolve muitos interesses e onde o tempo de cada um é muito precioso. Mas as pessoas são extremamente simples e atenciosas. Esse ano devo ir de novo. Não quero parar mais”, comentou.
No GP Brasil, Rodrigo conseguiu conversar e tirar fotos com todos os pilotos da Fórmula 1, visitou estandes, conheceu jornalistas (como Galvão Bueno), além de ter encontrado a família de Ayrton Senna. O exemplo de perseverança do piloto, aliás, é ratificado por Rodrigo. “Sempre disse que as pessoas devem seguir os seus sonhos. Sou uma prova viva disso. Para muita gente, entrar no universo da Fórmula 1 é algo impossível, mas eu consegui, porque sempre acreditei. Era o que Ayrton Senna falava: nada é impossível. Com persistência e foco, seus sonhos sempre podem se tornar realidade”.

Texto produzido em: 20/03/2018