Em 2018, três doenças consideradas erradicadas voltaram a assombrar os brasileiros: a febre amarela, o sarampo e a poliomielite. A situação é preocupante porque o país vive a mais baixa cobertura vacinal dos últimos dez anos. 
No início do ano, houve um alarde em relação ao número de casos de febre amarela. Foram registrados, entre julho de 2017 e abril deste ano, 1.127 casos da doença, quase o dobro do mesmo período no ano anterior. O aumento dos casos ampliou a procura e chegou a faltar a vacina em algumas regiões, tanto na rede pública quanto na rede privada. Para sanar a crise, o governo passou a adotar a dose fracionada do medicamento e reduziu a imunização a uma única dose.
Desde janeiro, já foram registrados 677 casos de sarampo. Amazônia e Roraima têm os maiores índices da doença. Os casos, segundo as autoridades, estão relacionados ao fluxo migratório da Venezuela. Também vem do país vizinho a informação de um caso de poliomielite. A América Latina foi considerada zona livre da doença em 1994. No Brasil, o último caso ocorreu em 1989.
O fato de não haver doenças no país não pode ser motivo para reduzir a vacinação e é indispensável o mapeamento da trajetória destes vírus, além da promoção de campanhas de vacinação, para evitar óbitos.
A assessora-chefe da Vigilância Epidemiológica de Campos, Roberta Lastorina, destaca o trabalho realizado na cidade e pede uma maior participação dos campistas na conscientização da importância da vacinação.
“O município de Campos dispõe de todas as vacinas previstas dentro do calendário do Sistema Único de Saúde. A cobertura vacinal do município ainda está em transição, visto que estamos aproveitando a procura da população pela vacina contra sarampo e poliomielite para atualizar a caderneta vacinal, principalmente infantil. No entanto, já foi relatado pelo Ministério da Saúde que o território brasileiro teve a primeira baixa de cobertura vacinal geral nos últimos anos. Em Campos, estamos intensificando as ações para que nosso município não esteja dentro deste contexto, porém são necessárias a conscientização e a participação da população. A própria Organização Mundial de Saúde vem divulgando que o principal problema para o aparecimento de doenças antes erradicadas nos territórios se deve à não vacinação, que pode acontecer das seguintes formas: quando uma pessoa ou um grupo não aceita receber nenhuma dose da vacina ou quando inicia um esquema vacinal que possua mais de uma dose, porém não o conclui, seja por mitos e medos ou ainda por esquecimento. Tais atos deixam a população exposta a adquirir a doença quando entra em contato com outra pessoa que esteja contaminada, formando assim bolsões de circulação do agente causador da doença. Logo, podemos afirmar que, ao não nos vacinarmos e os nossos filhos, estamos colaborando ativamente para o risco coletivo e individual. A vacinação é um meio extremamente eficaz de prevenção às doenças”.

Texto produzido em: 20/08/2018