Falar de comida está na moda. Basta, para isso, observar o número de canais e reality shows dedicados à arte da culinária, que provam como a alimentação tornou-se uma grande fonte de prazer e entretenimento para o público. Mas a era dos pratos gourmets não trouxe, necessariamente, uma nova forma de se alimentar. A maioria das pessoas continua tendo maus hábitos na mesa e prefere abrir mão de alimentos naturais para dar vez a produtos industrializados ou fast-foods. 
O problema é que esse comportamento, somado a fatores ambientais, sociais, genéticos e até econômicos, resulta em uma série de patologias que muitas vezes demoram a ser percebidas pelas pessoas. É o caso das doenças inflamatórias intestinais, que vem se tornando um grande desafio para a medicina moderna, pois são patologias de muita complexidade, que envolvem diversos fatores e exigem bastante conhecimento científico para garantir um tratamento adequado à população. 
Felizmente, no entanto, a tecnologia tem auxiliado bastante os médicos no diagnóstico de doenças inflamatórias intestinais, como acontece com o uso da cromoscopia eletrônica, que está aprimorando a conduta com os pacientes. Em Campos, quem tem lançado mão desse recurso é o médico gastroenterologista e endoscopista Dr. Roberto Costa, que falou ao Mania de Saúde sobre o uso dessa tecnologia no contexto de saúde atual. 
“As doenças inflamatórias intestinais estão avançando muito no mundo contemporâneo. Quando fiz minha residência médica, por exemplo, todos paravam para ver quando algum paciente apresentava essa enfermidade. Mas hoje eu atendo, em média, mais de 10 casos de doença inflamatória por semana. É muito”, alerta Dr. Roberto. “A cromoscopia eletrônica veio para beneficiar o atendimento desses pacientes, pois é um método que aprimora o diagnóstico. O aparelho funciona em HD e melhora a performance da imagem, tanto por via digestiva alta, quanto por via digestiva baixa. Essa tecnologia coroa o esforço do médico em oferecer um atendimento de qualidade, desde que ele possua, evidentemente, toda uma bagagem técnica e científica, pois é isso que vai definir o sucesso do tratamento. De nada adianta um bom aparelho sem o devido conhecimento para utilizá-lo”, acrescentou.
A cromoscopia eletrônica vem ganhando cada vez mais espaço na endoscopia digestiva por utilizar filtros de luz especiais, permitindo uma observação semelhante à cromoscopia convencional, mas sem a necessidade de administração de corantes. Além disso, o método digital promove um maior realce dos vasos e do relevo na superfície da mucosa, além de poder se associar à magnificação da imagem. Trata-se de um recurso simples e seguro, que abrange a mucosa de órgãos como o esôfago, estômago, duodeno, intestino delgado, cólon e reto. Ele tem sido utilizado no rastreio das neoplasias gastrointestinais, principalmente em indivíduos portadores de retocolite ulcerativa e doença de Crohn, que possuem um risco elevado para desenvolver o câncer colorretal.
“Essas doenças possuem um potencial de malignidade muito grande. Mas o avanço científico e tecnológico tem ajudado a evitar complicações. Para se ter uma ideia, ao realizar um procedimento com qualidade de imagem, posso detectar um câncer precoce e tratá-lo antes que se manifeste. Então, estamos falando não só de um método diagnóstico, mas também terapêutico e profilático”, conta o gastroenterologista. “Pacientes acima de 50 anos, protocolarmente, devem fazer uma colonoscopia para prevenção de câncer de colo de reto. Assim como o homem acima de 40 anos precisa fazer o rastreio de próstata. Isso comprova o quanto a profilaxia é importante. A cromoscopia é um grande exemplo disso e veio para beneficiar inúmeras pessoas”.
Atendendo pacientes de várias cidades da região, como Macaé, Friburgo, São Fidélis, Bom Jesus do Itabapoana, entre outras, Dr. Roberto cita que a cromoscopia eletrônica é um ganho para o interior fluminense e pode evitar muitas complicações nos casos de doenças inflamatórias intestinais. O médico, inclusive, é membro do Grupo de Estudo da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB), que vem alertando para o aumento desses problemas e prepara até um protocolo voltado à classe médica. 
“O GEDIIB é um grupo que vem aglutinando interesses comuns para tratar e orientar pacientes acometidos de doença inflamatória intestinal, como a própria doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Isso é importante porque, como são patologias de muita complexidade, nem todo mundo sabe diagnosticar da maneira adequada. Muitas vezes o paciente chega até nós com um adiantamento muito grande da severidade do quadro. Diante disso, o GEDIIB está elaborando protocolos de conscientização da classe médica, a fim de orientar sobre o problema. Porque muitas vezes a manifestação não começa no intestino, mas no olho ou numa articulação, retirando assim o foco da doença. Mas ela está lá e pode se agravar. Então, tem que ter conhecimento, pois são patologias que requerem muito cuidado e atenção. É preciso estar sempre atualizado, pois se tratam de doenças crônicas, que requerem expertise no manuseio de Terapêutica Biológica, a qual vem sendo a abordagem mais moderna para tais eventos”.

Texto produzido em: 13/02/2019