A obesidade entre crianças, adolescentes e adultos surgiu como uma das preocupações mais graves de saúde pública no século XXI. A obesidade é uma condição complexa, multifatorial, afetada por fatores genéticos. Por outro lado, está claro que o aumento epidêmico da obesidade nas últimas décadas teve como fator decisivo as mudanças ambientais.
De acordo com a médica endocrinologista Dra. Renata Caraline Carvalhal Fraga, são muitas as causas do problema em crianças e adolescentes. “O excesso de peso é geralmente causado por padrões alimentares pouco saudáveis, falta de atividade física e excessivo tempo em comportamentos sedentários. Nos últimos anos as brincadeiras infantis ao ar livre estão cada vez mais raras. Inicialmente, foram os programas de TV, depois o videogame, o computador e hoje os smartphones e tablets agravaram o problema. Esses aparelhos conectados à internet fazem parte da rotina do mundo atual, o que aumenta drasticamente o ‘tempo de tela’, um importante indicador de sedentarismo. Não é incomum os ‘pequenos’ ficarem horas nessas atividades, que exigem muito pouca energia e atrapalham a realização de atividade física. Estudos mostram que quanto maior o tempo de tela, maior o peso corporal. A situação ficou ainda pior, pois na correria do dia a dia, a falta de tempo da família, levou ao aumento do consumo de alimentos industrializados, geralmente pobres em nutrientes e altamente calóricos. O resultado não podia ser outro a não ser o aumento de peso”.
Ainda segundo a médica, a obesidade está longe de ser apenas um problema de imagem corporal, “pois ela tem o potencial de induzir alterações metabólicas extremamente importantes e aumenta o risco de várias doenças crônicas, como aumento da pressão arterial, pré-diabetes, diabetes, aumento das gorduras sanguíneas, gordura no fígado, doenças do coração, asma, apneia do sono, problemas ortopédicos e vários tipos de câncer em adultos. Com o aumento da prevalência da obesidade na infância, os médicos começaram a identificar esses problemas em faixas etárias pediátricas. Além disso, a obesidade é frequentemente complicada por estresse psicológico, insatisfação corporal, sintomas de depressão, isolamento social e baixa autoestima”.
Por fim, Dra. Renata fala sobre como é o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. “Ele consiste em 3 pilares: nutrição, atividade física e alteração do comportamento. A educação alimentar envolve incentivar o consumo de verduras, legumes, frutas, grãos integrais e carnes magras. Recomenda-se eliminar bebidas adoçadas e evitar alimentos ultraprocessados (produzidos com a adição de muitos ingredientes como sal, açúcar, óleos, gorduras, além de substâncias sintetizadas em laboratório, por exemplo: biscoitos recheados, salgadinhos ‘de pacote’, macarrão instantâneo e refrigerantes). A modificação do comportamento inclui motivação para reduzir o ‘tempo de tela’, não ultrapassando mais de duas horas por dia. Isso ajuda muito no aumento da atividade física, além de melhorar o sono. Crianças e adolescentes também devem ser encorajados a praticar no mínimo 20 minutos de atividade física por dia, sendo o recomendável 60 minutos por dia, que pode ser fracionada, e no mínimo cinco vezes por semana. Os filhos tendem a imitar os pais, assim é importante que os próprios pais coloquem em prática as dicas acima. Tratar a obesidade é um enorme desafio, exigindo mudanças às vezes radicais de estilo de vida, de todo o contexto familiar”.

Texto produzido em 18/04/2019