A gente liga a TV para assistir aos noticiários e muitas vezes pensa que o repórter só trabalha ali em frente às câmeras. Ou que o jornalista que escreve em veículos impressos tem uma vida fácil: é só escrever o texto e pronto. Mas, assim como outras profissões, o jornalismo tem várias camadas. A que chega até o leitor/telespectador é apenas uma delas.
Carolina Pessoa sabe bem disso. Nascida em Campos, hoje ela atua na TV Brasil como repórter e conta, nesta entrevista, um pouco sobre a profissão. 
Mania de Saúde – Como você soube que jornalismo era sua área?
Carolina Pessoa – Sempre gostei muito de comunicação, de ler e escrever e de contar histórias. Fiz teatro por muitos anos. Artes, história, sociologia e português sempre foram minhas matérias favoritas. Esses elementos me levaram para o jornalismo. Mas só tive certeza mesmo de que queria permanecer na profissão quando comecei a fazer estágios na área. Descobri que fazer jornalismo é algo extremamente dinâmico e envolve as atividades que tenho interesse. Combinou super bem. Por isso, acho que foi uma escolha acertada, apesar de, algumas vezes, diante dos desafios da profissão, eu ainda me pegar questionando um pouco esse caminho. Direito também poderia ter sido uma escolha, já que eu sou apaixonada pelo tema Direitos Humanos. Mas acho que ir por jornalismo foi apropriado.
Mania de Saúde – Você fez um dos melhores cursos da área, na UERJ, certo? Como foi o período de graduação?
Carolina Pessoa – Sim, estudei na Uerj. Mas, sinceramente, não classifico como um dos melhores cursos na área. Tive alguns professores muito bons e outros que realmente deixaram a desejar. Mas a oportunidade de estar em uma grande instituição, que abre portas para inúmeras oportunidades e convivendo diariamente com uma galera de várias origens, sem dúvida foi muito importante. E isso fez toda a diferença na minha profissão, já que jornalismo é um ofício eminentemente humano. Sobre meu período de graduação, foi super corrido, cheio de aulas, estágios (fiz 7 em 8 períodos!) e muitos desafios. Além do aprendizado teórico, trouxe para mim uma experiência de vida única.
Mania de Saúde – Você hoje pode ser vista nos telejornais da TV Brasil. Televisão sempre foi uma opção para você ou durante a faculdade você foi tomando gosto pelo veículo?
Carolina Pessoa – Sim, sempre foi uma opção. Mas nunca fui obcecada. Também me interessava bastante por jornais e revistas e estava aberta às oportunidades que surgissem, sem muita restrição. Sempre fui e continuo sendo uma pessoa que gosta, acima de tudo, de aprender. Tanto que, durante a faculdade, fiz estágios em quase todos os tipos de veículo. De qualquer forma, trabalhar hoje com uma mídia que sempre foi do meu gosto é algo bem bacana, uma conquista. Ainda mais como repórter, que de fato era a minha principal vontade. Nada disso veio fácil, foi resultado da minha dedicação, e nunca algo dado por ninguém. Apesar disso, eu não penso em ficar em reportagem de TV para sempre. O futuro é cheio de surpresas e, com o tempo, podem surgir outros objetivos. Procuro ter a mente aberta pra isso. Mas, por enquanto, penso em continuar no que faço e sempre tentando me aprimorar. Além de aproveitar que agora estou empregada e fazendo algo que gosto para me voltar mais para a vida pessoal.
Mania de Saúde – Como é sua rotina de trabalho?
Carolina Pessoa – Bastante corrida. São muitas informações, situações diferentes, prazos apertados e a cada dia uma novidade. Tem que ter muita disposição e ser ágil. Como atualmente sou repórter, em geral tenho várias saídas para gravações de matérias e/ou entradas ao vivo. É preciso ter concentração para gravar, criatividade e objetividade para escrever, e delicadeza para abordar as pessoas. Também muita paciência e perseverança em reportagens feitas em circunstâncias mais complicadas. É uma rotina muitas vezes difícil, mas que pode ser legal para pessoas com um perfil adequado para a atividade. E quem gosta mesmo, em geral, acha uma forma de se divertir, mesmo nos maiores sufocos.
Mania de Saúde – Qual o maior desafio da profissão, no seu ponto de vista?
Carolina Pessoa – É difícil falar em maior desafio, considerando que são muitos. Acho que, hoje, os maiores são alguns, mas no futuro provavelmente serão outros. Hoje eu posso dizer que a rotina muitas vezes me cansa demais, especialmente no sentido psicológico, porque me envolvo muito com as pessoas e o ambiente de trabalho. Quando acontece algum problema, tenho uma tendência a me abalar demais. Estou em um caminho de separar o profissional do pessoal, na medida do possível. Talvez esse seja o meu grande desafio do momento.
Mania de Saúde – O que você diria para o estudante de ensino médio que está sonhando com a profissão?
Carolina Pessoa – Eu diria três coisas. Primeiro para buscar o estudo sempre, sem esperar que tudo vá cair do céu. Não se acomodar. Segundo que busque se aprofundar na história do Brasil e em Direitos Humanos, para ter uma sensibilidade maior na abordagem dos temas sociais, produzindo matérias mais profundas e informativas, em vez de muito produto sensacionalista e equivocado que se vê por aí. Jornalismo não é entretenimento. Por último, que para ser um bom jornalista é preciso, antes de tudo, ser um bom ser humano. Entrar na profissão apenas pensando em algum tipo de glamour, dinheiro ou aventura só contribui para a formação de profissionais que não são dignos de carregar o título que essa formação confere, como existem tantos por aí. O jornalista tem uma função social muito grande, que deve ser honrada. Aqueles que realmente tem compromisso ético com a informação e tudo o que ela envolve, esses sim têm potencial para produzir algo realmente transformador. Trabalhar com notícias é algo que vai muito além de dominar a técnica. Tem a ver com vocação e com responsabilidade social.

Texto produzido em: 20/09/2017