A Doutora em Educação Bianka André Pires

Quanto tempo seu filho passa diante do computador e do celular? Será que você saberia responder a essa questão? Alguns chegam a dormir com o computador ligado e celular ao lado do travesseiro. Eles já nascem com a tecnologia nas mãos, mas como dosar bem o uso dela?

Nossa reportagem ouviu a Doutora em Educação licenciada em Letras e professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Bianka Pires André, e, segundo ela, existe pontos positivos e negativos na questão. “A geração que nasceu após os anos 90, que são os chamados ‘nativos digitais’, já foi socializada com as novas tecnologias, não consegue mais viver sem elas. Como ponto positivo, tem o acesso à informação, a globalização, que você pode aprender de tudo a qualquer momento, propiciando o autodidatismo. Jesús Martin-Barbero (semiólogo, antropólogo e filósofo colombiano) fala um pouco sobre essa descentralização do conhecimento, porque, antes, apenas o professor detinha o saber, mas agora qualquer página, desde que seja confiável, permite saber sobre determinado assunto. Isso eu acho positivo. No entanto, a parte negativa é que a gente sabe que o aluno não usa para adquirir esse conhecimento de que falamos. Muitas vezes ele usa só para jogar, para acessar as redes sociais, os bate-papos. Chega ao ponto de conversarem entre si via mensagem estando no mesmo espaço. É uma socialização que leva à exclusão. É preciso dosar, ter o tempo de ficar no computador, estudar e tem que ter o momento da criança ir para o playground, brincar com outras crianças, sair e ver a vida fora da tela”, ensinou.

Mas então a tecnologia é aliada ou adversária? “Ela é as duas coisas, cabe a nós saber usar. O que tem acontecido na modernidade é que os pais não têm tido tempo de estar com os filhos e, por mais triste que isso pode soar, é a realidade. Trabalham e estudam muito e para eles é ‘cômodo’ e ‘seguro’ ter o filho ali dentro do quarto e não na rua. Então, para o pai pedir para o filho sair do computador é preciso que ele lhe dê uma segunda opção, e a alternativa é passar tempo com a criança, porque elas estão carentes de atenção de pai, mãe, família. Pode ser o período do jantar, que é mais fácil de estarem todos em casa. Combinar de ficar todo mundo junto, desconectado e sem televisão é uma coisa bacana. Não é muito, mas ajuda a criar essa disciplina. Falando assim parece fácil, mas requer persistência. E essa mania de se comunicar apenas no virtual é sentida na escola. O aluno fica com dificuldade de se relacionar, de se expressar. E o professor também precisa se reinventar. Muitas vezes ele usa a tecnologia na sua vida pessoal e não a utiliza na profissão. Acho que existe certa acomodação porque, para fazer uma aula bem feita, é preciso preparo. Não adianta usar a tecnologia pela tecnologia, como diz a professora Raquel Barreto. Colocar o aluno sentado diante do computador para fazer um ditado, por exemplo, é vazio. Não adianta também trazer o aluno para uma tecnologia defasada. É preciso haver interesse e investimento na formação do professor”, afirma Doutora Bianka.