Pode ser que alguém diga que, se você não amamentar, não será uma boa mãe. Há quem cobre amor incondicional desde o teste de gravidez. Há quem diga que dá, sim, para seguir com a vida normalmente. Mas um filho ensina que tempo é uma coisa que não dá para controlar. A faculdade acaba trancada. A vaga de emprego já foi preenchida por outra pessoa. Mas a vida, como diz Carlos Drummond de Andrade, segue… Segue porque existe uma pessoa que precisa de você para viver no sentido literal da palavra. O Mania de Saúde abre este Mais Mulher com o depoimento de duas mães de “primeira viagem”, a fim de exemplificar como é bela a missão de cuidar e educar de um filho, como forma de esperançar o amanhã.
A médica Thayanna Alves, por exemplo, fez a paixão pela maternidade se tornar profissão. “Como sempre fui encantada pelo mundo da maternidade, não poderia escolher outra profissão que não fosse a obstetrícia. Eu me sinto privilegiada em poder conviver com tantas mulheres no período mais importante da vida delas. Todas as histórias que vivenciei no dia a dia da minha profissão me ajudaram a ter mais experiência ao me tornar mãe”, disse.
A engenheira Priscila Rodrigues acredita que são dois “nascimentos” quando o bebê vem ao mundo: o do próprio bebê e o da mãe. “Apesar de todo conhecimento buscado, tem muita coisa que é instintivo. Nasce uma mãe junto com o bebê. Viramos uma leoa, aprendemos a cuidar mesmo sem ter nenhuma experiência e a preocupação de cuidar de um ser tão indefeso, que necessita 100% de você, faz você esquecer qualquer noite mal dormida, vaidade ou diversão. O amor é algo inexplicável, junto com toda preocupação do cuidado com o bebê”.
As duas jovens mães destacaram a importância da recuperação após o puerpério, que são os 45 dias pós-parto. “É uma fase cansativa, desafiadora e emocionalmente difícil, devido a muitas oscilações hormonais. O cansaço se torna um dos nossos principais companheiros. Noites mal dormidas, banhos curtos e almoços rápidos são umas das coisas que testam nosso humor. A tristeza e a solidão em meio à tanta alegria às vezes tomam conta da gente. Eu, que sempre fui bem-humorada e alegre, me vi muitos dias triste e impaciente. Era difícil entender o motivo”, conta Thayanna, enquanto Priscila enfatiza o apoio familiar. “A mulher fica muito fragilizada e tem que cuidar do bebê, além de se cuidar. É uma fase difícil e que tive o suporte do meu marido e da minha mãe”, complementou.
Mãe do Vicente, de pouco mais de três meses, a médica tem aproveitado cada minuto ao lado do filho para conhecer os novos desafios da maternidade. “Ser mãe de primeira viagem é desafiador. Um conselho que sigo e costumo passar adiante é que devemos ser humildes para reconhecer nossas limitações e sempre que necessário pedir ajuda. Há momentos que não conseguiremos dar conta de tudo sozinha. É normal. Não devemos nos sentir inferior ou pior mãe por isso. A maternidade é muito prazerosa, mas também exaustiva. Ter alguém para dividir as tarefas do bebê com você é extremamente importante. Mesmo diante de todos esses desafios, ser mãe é o melhor presente que poderia receber de Deus”.
Já a engenheira, mãe do Antônio, que também completou três meses de vida recentemente, está curtindo os novos descobrimentos e as vitórias diárias. “Com amor, carinho e paciência vou conseguindo viver todo esse universo novo. Tenho muitas preocupações e inseguranças, mas buscar informações é fundamental, pois é muita responsabilidade gerar e criar um filho. A maior felicidade é o amor que nos toma, preenche nossa vida, é um pedaço do nosso coração batendo fora do corpo”, finaliza Priscila.

Texto produzido em: 20/08/2018