A fisioterapia pélvica tem ganhado cada vez mais notoriedade no tratamento de patologias. Uma delas é a incontinência urinária. O trabalho, que consiste em fortalecer os músculos do assoalho pélvico para impedir a perda involuntária da urina, restabelece qualidade de vida ao paciente e permite que ele se safe do problema que atinge mais de 10 milhões de pessoas no Brasil.
Desse quantitativo, a maioria é formada por mulheres, principalmente a partir da terceira idade. A explicação para esta incidência varia de acordo com o tipo de disfunção apresentada, mas tem, entre as causas mais comuns, diferenças anatômicas, alterações hormonais e consequências do pós-parto. 
Os tipos mais recorrentes desse problema são a incontinência urinária de esforço (que acontece quando a pessoa tosse, espirra ou pega peso) e a incontinência urinária de urgência (quando há vontade súbita de urinar e às vezes não dá tempo de segurar a urina, que escapa no caminho ou até mesmo antes de abaixar a roupa). Elas acontecem devido ao enfraquecimento dos músculos que sustentam os órgãos pélvicos (bexiga, útero no caso das mulheres e intestino), ocasionado pelo envelhecimento natural, gestação, partos vaginais, obesidade, cirurgias na estrutura pélvica (acomete mais os homens pela retirada da próstata), entre outros motivos.
Para tratar o problema, a fisioterapia pélvica oferece uma abordagem simples, indolor e sem efeitos colaterais. “A fisioterapia pélvica tem melhorado a qualidade de vida de forma radical dos que sofrem de incontinência urinária. No início, o fisioterapeuta faz uma avaliação do paciente, da questão da conscientização corporal e só então traça um planejamento que vai além de exercícios físicos semelhantes aos do pilates, por exemplo. Hoje, a fisioterapia pélvica dispõe de tecnologias muito eficazes para reverter quadros de incontinência urinária”, comenta a fisioterapeuta Ana Cecília Lelis, que se especializou na fisioterapia pélvica e trabalha há quatro anos na área.
Segundo ela, um dos recursos tecnológicos que tem auxiliado o tratamento da incontinência urinária é o biofeedback, em que um pequeno aparelho é introduzido na vagina das mulheres, ligado ao computador de mão, que gera contrações do períneo de forma programada. Esse aparelho pode ser útil para a mulher conseguir identificar os músculos que deve contrair, tendo mais consciência da força que precisa realizar durante cada movimento. “O tratamento depende da avaliação inicial. O biofeedback é um equipamento que auxilia bastante no trabalho de conscientização e fortalecimento do assoalho pélvico. O fisioterapeuta tem o papel de conciliar o uso destes e outros equipamentos com a cinesioterapia e, assim, melhorar a saúde do paciente”.

Texto produzido em: 17/04/2018