Especialidade é de fundamental importância no diagnóstico de doenças neurológicas nos bebês e nas crianças

Dra. Manuella Siqueira

Nas últimas décadas, graças aos enormes avanços da ciência e da tecnologia, a Neuropediatria conheceu um excepcional desenvolvimento. O profissional que trabalha nesta área tem conseguido bons resultados no diagnóstico e no tratamento de doenças neurológicas em crianças e adolescentes. No entanto, alguns pais ainda desconhecem a importância de levar o seu filho a um médico desta especialidade.
Conversamos com a médica neuropediatra do Instituto Nacional do Câncer, Dra. Manuella Siqueira, que nos conta, a seguir, como este profissional trabalha.
“A Neurologia Pediátrica constitui uma especialidade médica que é dedicada às doenças do sistema nervoso e do sistema muscular que se manifestam nas crianças e no adolescente. A neurologia infantil acompanha o desenvolvimento da criança desde o período neonatal através de exames clínicos minuciosos. O médico vai avaliando as aquisições motoras, cognitivas, de linguagem ao longo do tempo para diagnosticar e tentar tratar as doenças. Os principais problemas que nós temos visto são a dificuldade escolar, dores de cabeça, hiperatividade e déficit de atenção (o chamado TDAH), tiques, gagueira, alterações de forma e tamanho da cabeça, epilepsia, meningite, dificuldade para caminhar, atraso na fala, distúrbios do sono, terror noturno, autismo, síndromes genéticas, doenças neuromusculares, doenças degenerativas do sistema nervoso central, entre outras. É uma especialidade que tem a função de fazer o diagnóstico, orientar os pais para que as crianças sejam encaminhadas para profissionais que trabalhem com estimulação essencial. Dependemos muito de uma equipe multidisciplinar como psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psiquiatria, além do geneticista”, conta a neuropediatra.
Dra. Manuella fala também sobre o processo de desenvolvimento da criança, algo que pais e mães devem ficar atentos. “Normalmente, o pediatra encaminha a criança para o neuropediatra. Isso se dá a partir do momento em que se faz um diagnóstico, ou mesmo os pais percebam algum atraso. Por exemplo, se a criança não sentou no tempo certo, não engatinhou, não andou ou a criança ainda não fala. Com o desenvolvimento, os pais vão notando estes detalhes. Normalmente, com três meses de idade, a criança já tem que estar sorrindo; com quatro meses, rolando e emitindo alguns sons; aos seis meses já deve estar sentando sem apoio (isso pode variar, bebês prematuros podem atrasar um pouco mais); entre oito e nove meses, já deve estar engatinhando e entre um ano e um ano e meio já tem que estar andando etc. E, sobre o rendimento escolar, é importante que os pais fiquem atentos se não tem alguma patologia por trás das notas baixas, como a cefaléia. Muitas vezes, fica medicando a criança por conta própria por muito tempo sem procurar um profissional e a gente sabe que existe a cefaléia por abuso de analgésicos, que piora o quadro da criança. Além disso, a dor de cabeça pode ser o sintoma de qualquer outra doença mais grave. É importante que os pais fiquem de olho”.

 

Texto produzido em: 05/09/2015