A luta contra o câncer é sempre um período delicado na vida do paciente oncológico. Enquanto alguns reagem bem ao tratamento, outros ficam mais apreensivos, dependendo da gravidade do caso. É nessas horas que o apoio familiar e psicológico faz a diferença. Mas é sempre possível, também, oferecer alternativas para que o paciente ganhe ainda mais confiança e se inspire a vencer a doença, a fim de alcançar uma melhor qualidade de vida e atingir a tão sonhada cura.
É o que tem acontecido, em Campos, no serviço de radioterapia do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), onde foi instalado o Sino da Esperança. Ele auxilia os pacientes a ficarem mais proativos em relação ao tratamento. Quando ele chega ao fim, o indivíduo que teve alta badala o sino para registrar sua vitória, o que motiva os outros pacientes a fazerem o mesmo, transformando por completo a conduta deles junto à equipe médica, como explica Dr. Fabiano de Oliveira Gonçalves, médico radioterapeuta.
“O Sino da Esperança é um conceito que nasceu nos Estados Unidos, em uma ação de humanização feita por hospitais para estimular o paciente a enfrentar a doença. O sino então deixa de ser um simples objeto para ser encarado como um troféu, um prêmio, uma bandeira a ser conquistada ao término do tratamento, o que gera muita empolgação no paciente. Às vezes a gente atende uma pessoa que está tendo alta e ela logo quer badalar o sino, onde é aplaudida pela equipe e pelos familiares, que filmam esse momento, tiram fotos e celebram aquela vitória tão importante na vida dela. Os pacientes que estão chegando para iniciar o tratamento assistem aquilo e já mudam toda aquela expectativa de medo ou de apreensão antes da primeira consulta. Eles percebem que não é um bicho de sete cabeças. Se aquela pessoa está feliz, ela também pode chegar lá. O sino acaba despertando essa motivação, o que é essencial para o tratamento”, disse.
O físico médico Dr. Paulo Lázaro Garcia corrobora a opinião de Dr. Fabiano. “O sino mudou para melhor o comportamento dos pacientes. Eles passam a ter mais tranquilidade no dia a dia. E, nas consultas, você percebe a pessoa mais entusiasmada, tendo um vínculo maior de amizade, porque os pacientes passam a interagir uns com os outros e isso é muito bom para o tratamento de uma forma geral”, destacou.
A equipe da radioterapia lembra que poucas unidades de tratamento de câncer no Brasil têm o sino, que também é chamado de Sino da Conquista ou Sino da Vitória. Segundo os profissionais, são apenas 10 sinos, a maioria no estado de São Paulo, mas também há no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraíba. A ação foi inspirada no hospital MD Anderson Câncer Center, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, reforçando a proposta de atendimento humanizado aos pacientes e acompanhantes. Uma prova de quanto os pequenos gestos podem fazer uma grande diferença na vida das pessoas. 

Texto produzido em: 20/09/2018