Antigamente, quando a mulher tinha a sua primeira gestação aos 30 anos, era chamada de “primípara idosa”. No entanto, a expectativa de vida daquela época era muito diferente do que é hoje. As mulheres, na atualidade, estão bem mais longevas e adiam um pouco mais a maternidade, sem medo de engravidar depois dos 30 anos. 
Nossa reportagem conversou com a médica ginecologista e obstetra Dra. Leila Werneck sobre essa tendência da gravidez tardia. “Hoje, a expectativa de vida feminina está em 74 anos. Com o avanço da medicina e a tomada de controle da própria vida da mulher, as coisas mudaram com relação ao que sabemos de nossas mães e avós. A mulher do século XXI quer estudar, ter sua formação profissional, sua estabilidade econômica e, com isso, ainda que ocorra o casamento cedo, a maternidade vem sendo postergada. E a medicina tem evoluído para acompanhar essa mudança”.
No entanto, de acordo com Dra. Leila, há uma questão biológica que é preciso considerar. “A mulher nasce com os óvulos que ela vai levar a vida inteira. Cada mês em que a mulher menstrua, perde-se um óvulo que não é reposto. Isso quer dizer que o óvulo de uma mulher de 30 anos tem exatos 30 anos. O mesmo vale para uma mulher de 35. E aí entramos no campo das cromossomopatias, que aumentam de maneira exacerbada a partir dos 35 anos. Mas hoje, como médicos, nós temos condições de oferecer o que há de melhor em termos de pré-natal, exames profiláticos etc. Essas pacientes que hoje optam por uma gestação nesta idade têm uma orientação melhor e se cuidam mais”. 
A médica explica ainda que cuidados as futuras mamães nesta faixa etária devem tomar. “São diversas opções para os mais variados tipos de poder aquisitivo. Algumas mulheres têm optado pelo congelamento de óvulo, embora ainda não seja tão simples, porque o SUS não oferece este tipo de tratamento. Mas é uma realidade possível hoje em dia. A nossa preocupação maior com relação à gravidez tardia são as comorbidades que podem surgir e as cromossomopatias. Comorbidades como a pressão alta, que vêm com a genética da futura mamãe. Por isso, antes de engravidar, ela precisa procurar o médico que vai solicitar vários exames para saber como está a sua saúde. A partir daí ele pode passar alguns suplementos e algumas coisas que ela pode fazer para evitar uma série de problemas. Ao engravidar, ela precisa fazer um bom acompanhamento pré-natal com um obstetra que ela tenha confiança para perguntar o que ela quiser”. 

Texto produzido em: 19/06/2018