“Dar aula é bonsai, não é agronegócio. O bonsai é a atividade em que eu podo uma folha, pego uma pequena raiz, molho com algumas gotas. Um professor é um técnico em bonsai, nunca um plantador de soja em latifúndio. Não dá certo a aula em latifúndio. A aula é sempre um exercício de bonsai. Isso significa que eu tenho na minha frente cinquenta, quarenta e cinco alunos, mas eu tenho que transformar cada um em uma pessoa. É muito difícil isso. O magistério não é fácil. É um momento especial quando o meu olho cruza com o olho do aluno e, como disse o grande Paulo Freire, todo professor marca. Inclusive o ruim”. 
A citação acima foi feita pelo professor e filósofo Leandro Karnal em sua passagem por Campos, no ano passado, e serve bem para ilustrarmos a importância do professor em nossa formação como cidadãos. Nossa reportagem conversou com a professora Patrícia Mendonça, do Colégio Centro de Estudos - Sistema PH de Ensino, sobre como a profissão tem mudado ao longo dos anos. Uma das mudanças mais significativas é a inclusão da tecnologia como instrumento de ensino. “Eu acredito que a tecnologia só tem a acrescentar, porque é uma ferramenta que nos ajuda na questão imagética, com informações extras, contribuindo para atrair a atenção do aluno. Mas é claro que de maneira alguma deve ser encarada como a principal ferramenta, porque a relação entre aluno e professor é insubstituível. O professor consegue detectar as dificuldades de cada aluno e, desta forma, planejar o melhor método de ensino em cada caso. E isso nenhum eletrônico substitui. A internet é uma fonte inesgotável de informação, mas como filtrar tudo isso? O que é confiável ou não? Por isso saliento a relevância do material didático adotado pela escola, pois ele é elaborado com o aval de vários especialistas da área”. 
Perguntamos para a professora qual a principal mudança nos últimos anos na profissão, de acordo com a sua avaliação. “Há um comportamento diferente do aluno para com o professor. De certa forma, a cabeça do aluno mudou muito com relação às suas próprias expectativas. O que motiva o aluno a estar em um ambiente escolar deveria ser a necessidade de aprender. Mas muitos vêm porque são obrigados e não enxergam prazer em estar na escola. Eles recebem uma gama muito grande de informação diariamente pela internet, pelos jogos, pelos filmes e chegam à escola achando que já sabem o que vai ser apresentado ali. Por isso eu vejo que o professor deve ser o mediador entre o conhecimento e a bagagem que o aluno já traz de casa. A gente não pode virar as costas para a tecnologia, e sim abraçá-la e agregar para aperfeiçoar o ensino”, afirma. 
A professora Patrícia aborda o que ela considera o maior desafio do professor atualmente. “Acho que é tocar na alma do aluno. Fazê-lo entender porque ele está aqui na escola. Fazer com o que esse aluno perceba que ele está tendo a oportunidade de adquirir conhecimento em qualquer área. E tornar a escola um ambiente atrativo para essa geração. Não estou dizendo que deve-se fazer da aula um espetáculo, mas o aluno deve compreender que é importante estar na escola. A nossa preocupação tem sido preparar o indivíduo não somente para a vida acadêmica e profissional, mas para a vida como um todo. Por isso é importante que o aluno consiga entender porque ele precisa valorizar esse ambiente de estudo e, principalmente valorizar o professor”, finaliza Patrícia. 

Texto produzido em: 13/09/2017